Delegado de elite preso em MS por suspeita de desvio de cocaína apreendida

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 24/09/2026 23:20
Delegado de elite preso em MS por suspeita de desvio de cocaína apreendida

Foto: via G1

Na tarde desta quinta-feira (24), o delegado Hoffman D'Ávila Cândido e Sousa, titular da 6ª Delegacia de Polícia Civil de Campo Grande, compareceu à Corregedoria da Polícia Civil acompanhado de advogado e foi preso como alvo da Operação "Infiltrados", coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) e pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).

Hoffman é acusado de usar a função pública para desviar cocaína apreendida em operações policiais e repassar a uma organização criminosa. A investigação, iniciada em outubro de 2025, apontou que policiais envolvidos omitiam registros oficiais ou retiravam os entorpecentes dos depósitos para facilitar o desvio.

A Operação Infiltrados, que já cumpriu 26 mandados de prisão e 38 de busca, resultou até o momento na prisão de 12 policiais e 2 civis no estado. O Gaeco informou que, ao todo, foram cumpridos 24 mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 38 mandados de busca e apreensão nas cidades de Campo Grande, Dourados e Três Lagoas.

Além de Hoffman, outros dois policiais investigados entregaram‑se e permanecerão detidos. O advogado de Hoffman, Amilton Ferreira de Almeida, afirmou que o delegado não estava em sua residência quando os mandados foram cumpridos. A defesa informou que solicitará a revogação da prisão na Justiça na próxima segunda‑feira (28).

Hoffman chegou à sede da Corregedoria por volta das 17h, após ter sido transferido para a 6ª Delegacia em junho de 2026. Antes disso, ele foi titular da Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar) e do Grupo de Repressão a Roubos, Assaltos e Sequestros (Garras), do qual foi removido antes de assumir a 6ª Delegacia.

O histórico profissional de Hoffman inclui ingresso na Polícia Civil de Mato Grosso do Sul em 2014, após cinco anos como escrivão de polícia em Goiânia (GO). De 2014 a 2019 atuou nas delegacias de Costa Rica e na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) Piratininga, em Campo Grande. De 2019 a fevereiro de 2026 integrou a Denar, chegando a ocupar a titularidade da unidade. Em 10 de fevereiro de 2026 foi designado para comandar o Grupo Armado de Repressão a Roubos, Assaltos e Sequestros (Garras) e, em junho do mesmo ano, foi removido para a 6ª Delegacia.

Entre os presos confirmados pela operação estão os civis Weslei Benítez, Lucas da Silva dos Santos, conhecido como "LK", Kayon Lucas Leodoro da Silva e Heberti Barbosa. A defesa de Weslei alegou inocência e apontou que a amizade com Kayon, já preso anteriormente, teria motivado sua inclusão na investigação, sem vínculo com os policiais detidos. A defesa de Heberti afirmou não ter acesso aos autos. Não foi localizada a defesa de Kayon.

Outras identidades de presos divulgadas pelo g1 são:

  • Nelson Ricardo Barros de Oliveira — policial civil (defesa ainda aguarda acesso aos autos).
  • Matheus Gabriel Machado Bezerra — empresário (defesa ainda aguarda acesso aos autos).
  • Neverson Vieira de Araújo — policial civil.
  • Augusto Torres Galvão Florindo — preso em flagrante em 28 de novembro de 2025 ao receber R$ 130 mil em espécie como pagamento por mercadorias desviadas do Garras.
  • Roberto Palmeira da Silva — policial civil (tem mandado de prisão, não foi encontrado e a defesa afirmou que...).

Até o momento, o Gaeco confirmou a prisão de nove policiais civis, dois policiais militares e um policial penal. Os mandados continuam em execução e o número de detidos pode crescer ao longo da operação.

Com informacoes de G1.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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