Daniel Vorcaro defende manutenção de pagamentos de R$100 mil mensais a Carlos Costa, vice de João Campos em Pernambuco
Em mensagens obtidas pela VEJA, o banqueiro Daniel Vorcaro respondeu ao advogado Luiz Rennó com a frase "Pode cortar não" ao ser questionado sobre a continuidade de repasses mensais de R$100 mil ao economista Carlos Costa, candidato a vice pelo Republicanos na chapa de João Campos (PSB) ao governo de Pernambuco.
As conversas, registradas em relatório de investigação da Polícia Federal sobre o escândalo do Banco Master, datam de fevereiro de 2025. Rennó iniciou o diálogo perguntando se o pagamento de R$100 mil, que teria vencido, deveria ser mantido, afirmando que Carlos Antônio Costa Cavalcanti Neto tem contrato com o banco e acompanha projetos de lei e legislação. Rennó ainda sugeriu negociar o valor por R$10 mil caso Vorcaro não conhecesse o beneficiário.
Em mensagem complementar, Rennó citou “a ligação com o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Serafim Costa Filho”. Silvio Costa Filho foi titular da pasta de Portos e Aeroportos no governo Lula de setembro de 2023 até março de 2026, quando deixou o cargo para concorrer à reeleição como deputado. Ele, Carlos Costa e o deputado estadual João Paulo Costa (PT) são filhos do ex‑deputado Silvio Costa.
Vorcaro respondeu afirmando que o pagamento poderia ser mantido: “Ah, sim. Pode cortar não”. O mesmo diálogo prosseguiu com menções a apoios no Congresso, incluindo articulações com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos‑PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil‑AP). Vorcaro escreveu “Tô em Brasília. Com Davi e Hugo” e Rennó questionou “Com Hugo transita bem também?”. Vorcaro respondeu de forma descontraída: “Pensa numa encaixada que demos aqui. Transito bem? kkkk”.
O contrato que gerou os repasses foi firmado entre o Banco Master e a RI Consulting, cujos sócios são o ex‑deputado Silvio Costa e seu filho Carlos Costa, que atuava como administrador da consultoria até março de 2024, quando deixou o cargo para assumir a vice‑candidatura de João Campos. No início de 2026, o acordo havia rendido ao menos R$1,1 milhão à RI Consulting, com estimativa de chegar a R$2 milhões, segundo a CPI do Crime Organizado que investigou os negócios suspeitos do Master.
O relatório final da CPI foi rejeitado após intensa articulação da base governista, depois que o relator Alessandro Vieira (MDB‑SE) solicitou o indiciamento de ministros do Supremo Tribunal Federal. As informações analisadas pela comissão têm origem na Receita Federal e integram o amplo material que a Polícia Federal está examinando para entender o fluxo de dinheiro comandado por Daniel Vorcaro.
Em nota, a RI Consulting declarou que presta serviços de consultoria política e empresarial para diversas associações e federações do setor produtivo nacional, acompanhando projetos de lei de interesse dos clientes nas Câmaras Municipais, Assembleias Legislativas e no Congresso Nacional. A empresa afirmou que o contrato com o Banco Master, já encerrado, visava “acompanhar a tramitação da reforma tributária no Congresso Nacional” e “projetos de lei nos estados e municípios”. Também declarou não ter participado de reuniões com o Banco Central, o BRB (Banco Regional de Brasília) ou qualquer instituição citada nas investigações do Banco Master, e que enviou relatórios mensais de serviços, além de atas notariais de todos os contatos com diretores do banco.
O ex‑deputado Silvio Costa, diretor‑presidente da RI Consulting, afirmou à VEJA que registrou todas as conversas em cartório, inclusive um encontro com Daniel Vorcaro, dizendo: “Peguei o meu celular e registrei todas as conversas que tive em cartório. Estive uma vez com esse Daniel Vorcaro”.
Procurada, a campanha de João Campos informou que não se manifestaria publicamente e que o assunto estava sendo tratado pelo vice‑candidato Carlos Costa. Silvio Costa foi o único indicado para falar com a reportagem sobre o caso.
Com informacoes de VEJA.

