Corinthians propõe quitação da dívida da Neo Química Arena mediante cessão de naming rights à Caixa
A diretoria corintiana entregou à Caixa Econômica Federal uma proposta que visa liquidar a dívida de R$ 630 milhões vinculada à construção da Neo Química Arena, equivalente a 22,5% do total de R$ 2,8 bilhões que o clube possui em obrigações.
O encontro ocorreu na sede da Caixa em Brasília, onde o presidente Osmar Stabile, o diretor jurídico Pedro Soares e o diretor cultural Rafael Castilho participaram de reunião na semana passada e deixaram o local otimistas quanto a um possível acordo.
Segundo a proposta, a Caixa passaria a deter os naming rights do estádio, atualmente pertencentes à Hypera Pharma. A diretoria corintiana estima que os direitos de nome estejam valendo cerca de R$ 70 milhões por temporada, valor muito superior aos R$ 15 milhões anuais, corrigidos pela inflação, que a Hypera paga desde a assinatura do contrato em 2020.
Além da cessão dos naming rights, o plano inclui a emissão de títulos de capitalização, a transferência integral da operação financeira do clube – contas e pagamento de salários – para a Caixa, e a criação de cartões vinculados ao programa Fiel Torcedor.
Com o valor dos naming rights acordado entre Corinthians e Caixa, o clube acredita que a dívida poderia ser considerada quitada, já que o banco ficaria com a exploração comercial do nome do estádio por um período determinado.
Na mesma reunião, os dirigentes solicitaram a devolução de R$ 27 milhões que permanecem na conta reserva prevista no contrato de renegociação da dívida assinado em 2022, argumentando que o clube está adimplente e que o recurso ajudaria nas despesas operacionais cotidianas.
Há ainda a expectativa de que a Caixa autorize a suspensão dos pagamentos das próximas parcelas da dívida enquanto as negociações avançam.
O tema ressurgiu neste ano devido à grave crise financeira que o Corinthians atravessa, cuja principal causa, segundo a diretoria, é o débito da Arena. Stabile tem reiterado que quitar o estádio é seu principal objetivo na gestão.
A proposta gera ceticismo em parte da torcida, que a vê como promessa eleitoreira, já que as eleições para a presidência e para o Conselho Deliberativo estão marcadas para 28 de novembro, data em que Stabile pretende concorrer à reeleição.
Os dirigentes acreditam que a negociação avança bem, sobretudo após a inclusão do assunto na pauta do Conselho Diretor da Caixa, que será debatido nesta terça-feira.
A Caixa, por meio de nota oficial, informou que não comentará operações bancárias específicas ou negociações em curso, em respeito ao sigilo bancário previsto na Lei Complementar 105/2001.
Se o acordo se concretizar, o Corinthians pretende oferecer à Hypera Pharma os naming rights de outras instalações do clube, como o Centro de Treinamento Joaquim Grava.
Desde a inauguração da Neo Química Arena em 2014, o clube desembolsou aproximadamente R$ 600 milhões para pagar o financiamento da construção. O contrato de renegociação firmado na gestão do ex‑presidente Duilio Monteiro Alves estabelece dezembro de 2041 como prazo final de pagamento, com amortizações crescentes a partir de 2025 e juros calculados a 2% ao ano mais a variação do CDI. Na prática, apenas os juros foram pagos em 2023 e 2024, e a redução do principal está prevista para iniciar em 2025.
Em 2023, o presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior, sugeriu publicamente que o clube deixasse de pagar a dívida com a Caixa para priorizar outras obrigações, o que levou a instituição a reconhecer a possibilidade de nova renegociação.
Com informacoes de ge.

