Congresso adia instalação da comissão para analisar MP da 'taxa das blusinhas' para 1º de setembro
O Congresso Nacional adiou mais uma vez a instalação da comissão mista que vai analisar a medida provisória (MP) que acaba com o imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, conhecida como 'taxa das blusinhas'. Esse é o segundo adiamento. A previsão inicial era que a instalação ocorresse em 12 de agosto, mas foi adiada para 13 de agosto, e agora foi novamente desmarcada.
A nova previsão de instalação é 1º de setembro, às 14h30, de acordo com o sistema do Senado. A MP foi editada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 12 de maio e, caso não seja aprovada até 8 de setembro, perde a validade e a tributação de 20% é retomada a partir de 9 de setembro.
Com as novas regras, o ministro da Fazenda passou a ter a competência para alterar as alíquotas do imposto de importação das remessas postais internacionais, inclusive reduzindo a zero a tributação de até US$ 50. A tramitação da MP estava travada em função do rompimento entre o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o presidente do Congresso e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), após o senador articular a rejeição da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF) no fim do mês de abril.
Os dois retomaram o diálogo na última semana e a instalação da comissão mista é vista como um gesto de Alcolumbre ao governo. Apesar disso, parlamentares, principalmente os que concorrem à reeleição para Câmara e Senado, também pressionavam pelo avanço da matéria devido ao apelo popular. A decisão do governo de editar, em maio, uma MP para revogar uma taxa que ele mesmo criou foi interpretada por integrantes do Centrão e da oposição como uma iniciativa de caráter eleitoral.
Em ano eleitoral, a medida transferiu para o Congresso a decisão de manter ou derrubar a cobrança. A decisão do governo pela criação da chamada 'taxa das blusinhas' enfrentou resistência de grande parte dos consumidores brasileiros, que argumentavam que a medida resultaria num encarecimento de produtos populares e de baixo valor e na redução da atratividade das plataformas internacionais de comércio eletrônico.
Os críticos da 'taxa das blusinhas' também apontavam uma diferença de tratamento em relação às compras feitas no exterior. Por exemplo, turistas que retornam ao Brasil de viagens internacionais podem trazer produtos sem pagar imposto, desde que respeitado o limite da cota de isenção. Empresários do varejo nacional argumentam que a isenção para compras internacionais de baixo valor favorece produtos importados e cria uma concorrência desigual com o comércio brasileiro.
Como já mostramos, o Congresso tem prazo apertado para analisar medidas provisórias, e a 'taxa das blusinhas' é mais um exemplo disso. A discussão também ganhou espaço no debate político. A decisão de estabelecer uma alíquota de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 foi alvo de críticas da oposição, que classificou a medida como mais um 'aumento de imposto' e acusou o governo de promover uma 'sanha arrecadatória'.
Com informacoes de G1 Política.

