Conflitos armados e surto de ebola agravam crise humanitária na República Democrática do Congo

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 23/08/2026 21:20
Conflitos armados e surto de ebola agravam crise humanitária na República Democrática do Congo

Foto: via Folha de S.Paulo

Conflitos armados entre o Exército da República Democrática do Congo (RDC) e milícias rebeldes transformam o leste e o nordeste do país em um cenário de grave crise humanitária, dificultando o acesso à informação e à ajuda humanitária.

Campanhas oficiais de prevenção contra a doença não chegam às comunidades controladas por milícias, e instalações e equipes médicas são frequentemente alvos de ataques, agravando a propagação da mais grave epidemia de ebola do país — a 17ª ocorrência do vírus Bundibugyo, considerada a segunda mais devastadora do mundo.

A Organização das Nações Unidas (ONU) alertou, em 17 de setembro, sobre a rapidez do contágio; estima‑se que uma pessoa morra a cada 30 minutos. Desde 15 de maio, data em que o governo do presidente Félix Tshisekedi declarou emergência com atraso, foram registrados 4.945 casos confirmados e 2.325 óbitos.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) projeta o controle da contaminação em três meses, mas ressalta que isso não significa o fim da crise sanitária, já que não existe vacina para o vírus Bundibugyo. A entidade recomenda a vacina Ervebo, que protege contra outro tipo de vírus, como teste em população local, evidenciando a gravidade da situação.

Desde o início da guerra em 2022, o conflito intensificou uma crise que já havia deslocado 7 milhões de pessoas dentro da RDC e 1 milhão para o exterior. Os confrontos envolvem o grupo Movimento 23 de Março (M23) e outras milícias que, segundo o governo, recebem financiamento de Ruanda, que também teria tropas em território congoles, motivadas pelo interesse nas jazidas de minerais como cobalto, cobre e coltan.

Os rebeldes instauram governos locais que permanecem inertes diante da epidemia, impedindo que campanhas de prevenção alcancem a população. Em janeiro de 2025, o M23 fechou o aeroporto de Goma, principal ponto de entrada de ajuda humanitária, dificultando ainda mais a resposta ao surto.

A missão da ONU na RDC, MONUSCO, atua há 16 anos sob o comando de um general brasileiro, mas não tem conseguido proteger os civis, que também enfrentam outras doenças e fome.

A situação afeta o projeto de desenvolvimento da RDC, um dos cinco países mais pobres do mundo, que depende da exploração e beneficiamento local de minerais estratégicos. Enquanto os Estados Unidos pressionam por negociações de paz visando o acesso às jazidas, a China mobiliza equipes médicas ao país para proteger os investimentos já realizados.

Com informacoes de Folha de S.Paulo.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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