Disputas internas pelos números de urna geram conflitos no PT e no PL

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 23/08/2026 06:20
Disputas internas pelos números de urna geram conflitos no PT e no PL

Foto: via G1

O início da campanha eleitoral trouxe à tona disputas internas nos partidos brasileiros, sobretudo a definição dos números que aparecerão na urna ao lado dos nomes dos candidatos.

Embora pareça simples, o número na urna tem importância estratégica: números semelhantes aos dos principais candidatos à Presidência costumam ser mais fáceis de lembrar pelos eleitores. Neste ciclo, números como 1313 e 22.222 foram objeto de disputa em diferentes estados.

No Rio de Janeiro, a disputa interna do PT girou em torno do número 1313. Os pré‑candidatos Lindbergh Farias e Marcelo Freixo criticaram publicamente a decisão, alegando falta de “democracia interna” e comparando o processo a uma “capitania hereditária”. O representante da Executiva Nacional no Rio, Washington Quaquá, atribuiu o número 1313 ao seu filho, Diego Quaquá, que concorre à deputação federal e preside o partido no estado. Washington respondeu às críticas nas redes sociais afirmando que o número foi usado por ele e agora será usado “pelo presidente do PT no Estado, representante do município que é símbolo do que o PT tem de melhor”. A decisão de Washington permaneceu, e Lindbergh Farias e Marcelo Freixo foram alocados com outros números.

No Distrito Federal, a disputa ocorreu entre dois candidatos do PL pelo número 22.222. O deputado distrital incumbente Roosevelt Vilela, que busca a reeleição, pretendia trocar seu número anterior por 22.222, considerado mais estratégico. Contudo, o partido favoreceu Eduardo Torres, irmão da ex‑primeira‑dama Michelle Bolsonaro, para o mesmo número. Roosevelt recorreu à Justiça Eleitoral, mas o Tribunal Regional Eleitoral do DF (TRE‑DF) decidiu que a preferência só seria garantida se o número tivesse sido usado por ele na eleição anterior – o que não ocorreu. O colegiado reforçou a autonomia dos partidos para definir estratégias internas e garantiu que a decisão fosse tomada antes do início da campanha, permitindo que os candidatos utilizassem o número correto em suas divulgações.

Outros casos ilustram a prática de alocação de números dentro do PL. O número 2222, destinado a deputado federal, foi atribuído a candidatos ligados à família Bolsonaro, enquanto em São Paulo o número ficou com Renato Bolsonaro, irmão do ex‑presidente Jair Bolsonaro, após decisão interna da sigla.

De acordo com a legislação eleitoral, os números dos candidatos devem conter o código do partido seguido de um, dois ou três algarismos, conforme o cargo. A atribuição ocorre nas convenções partidárias estaduais, seguindo autonomia partidária, mas respeitando regras como a preferência para quem já utilizou o número na eleição anterior para o mesmo cargo ou para incumbentes que solicitam mudança. Critérios internos, acordos entre candidatos ou, em último caso, sorteio previsto em lei, podem ser adotados para definir a distribuição.

Ao negar a liminar apresentada por Roosevelt Vilela, o desembargador Néviton Guedes reafirmou a autonomia dos partidos nas decisões internas, afirmando que “é um aspecto político essencial do partido, que pode eleger um candidato como mais importante para a sua proposta, para a sua disputa política”.

Com informacoes de G1.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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