Concentração de votos impede 'puxadores' do PSOL e coloca em xeque estratégia eleitoral da esquerda

Por Rui Barbosa Oliveira em Rio Verde, GO 12/10/2026 12:35
Concentração de votos impede 'puxadores' do PSOL e coloca em xeque estratégia eleitoral da esquerda

Foto: via G1 Política

O Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) não ultrapassou a cláusula de barreira nas últimas eleições para a Câmara dos Deputados, resultando na perda do acesso ao Fundo Partidário e à propaganda gratuita em rádio e televisão. O partido anunciou que pretende recorrer ao Poder Judiciário para contestar a situação e, ao mesmo tempo, evita retomar o debate sobre a federação com o Partido dos Trabalhadores (PT).

Apesar de contar com candidatos que concentraram votos expressivos em seus respectivos estados – como a deputada Erika Hilton (SP), a deputada Sâmia Bomfim (SP) e o candidato Jones Manoel (PE) – o PSOL não conseguiu eleger colegas de legenda, pois os demais candidatos não atingiram o patamar mínimo exigido para garantir cadeiras na Câmara.

A cláusula de barreira estabelece que um partido deve eleger, no mínimo, treze deputados distribuídos por nove unidades da federação ou alcançar 2,5 % dos votos válidos em nove estados, com um mínimo de 1,5 % em cada um desses estados. O não cumprimento desses requisitos implica a perda do Fundo Partidário – recurso financeiro público destinado à manutenção das agremiações – e a exclusão do tempo gratuito de rádio e TV, limitando a capacidade de expansão do partido.

Em contraste, o Partido Liberal (PL) registrou desempenho superior, sobretudo em Minas Gerais, onde o candidato Nikolas Ferreira obteve número recorde de votos, permitindo ao PL conquistar 21 vagas no estado e eleger candidatos com votação menos expressiva. O PSOL não registrou distribuição semelhante, o que dificultou a consolidação de uma bancada maior.

A deputada Sâmia Bomfim, reeleita em São Paulo, ressaltou a complexidade de planejar estratégias eleitorais quando os eleitores são motivados por opiniões individuais e não por estruturas partidárias tradicionais: “É muito difícil calcular quantos votos um candidato terá quando não é eleição por máquina, território ou aparato”.

Segundo o professor de ciência política da Universidade de Brasília, Frederico Bertholini, o resultado evidencia uma organização mais eficaz do PL nas eleições proporcionais, enquanto o PSOL demonstra fragilidade na distribuição de votos.

No Distrito Federal, o deputado federal Fábio Felix, filiado ao PSOL e eleito como o candidato mais votado da legenda, não conseguiu arrastar colegas ao Legislativo. Em vídeo divulgado, ele perguntou a apoiadores quantos votos seriam necessários para sua eleição; a resposta foi “mais de 150 mil”. Felix comentou que, embora alguns acreditassem que sua vitória estava garantida, “não posso abrir mão de nenhum voto”. O número mencionado corresponde ao quociente eleitoral, que para a Federação PSOL/ Rede seria de 207.382 votos – o total de votos válidos dividido pelas oito vagas disponíveis. Apesar de Fábio Felix ter alcançado esse total individualmente, a ausência de distribuição suficiente impediu a legenda de eleger outros candidatos.

Especialistas apontam a federação do PSOL com partidos aliados, como o PT, como uma alternativa para melhorar a distribuição de votos. Em março, a direção do PSOL rejeitou a proposta, argumentando a necessidade de manter a independência da sigla. As federações partidárias unem duas ou mais legendas por, no mínimo, quatro anos, permitindo que os recursos e resultados eleitorais sejam somados nos cálculos de distribuição de fundos e de vagas.

A Federação Brasil da Esperança – composta por PT, Partido Verde (PV) e Partido Comunista do Brasil (PCdoB) – conseguiu eleger duas candidaturas no Distrito Federal graças à distribuição equilibrada de votos, apesar de ter menos votos totais que o PSOL. No DF, a federação não alteraria o número de deputados eleitos pelo PSOL, mas, em São Paulo, a união poderia possibilitar a conquista de duas vagas adicionais, contribuindo para o cumprimento da cláusula de barreira, que exige a eleição de deputados em pelo menos nove unidades da federação.

Em cálculo solicitado pelo G1, o professor Frederico Bertholini estimou que, no Distrito Federal, a federação ampliada somaria 476.592 votos, mantendo a eleição dos dois deputados já eleitos (Fábio Felix e Agnelo Queiroz) e, na distribuição das sobras, acrescentaria uma vaga por média com Reginaldo Veras. No cenário de São Paulo, a união das legendas ajudaria a alcançar o número de vagas necessário para atender à cláusula de barreira, embora os números exatos não tenham sido divulgados.

Com informacoes de G1 Política.

Rui Barbosa Oliveira

Sobre o Autor: Rui Barbosa Oliveira

Rui é a cobertura política do MOTNAF.NEWS com o pé firme na imparcialidade. Congresso, STF, Palácio do Planalto, decisões de governo, votações e o que muda de fato na vida do brasileiro. Ele explica os dois lados, traz o contexto e se apoia em fatos, sem opinião e sem tomar partido. E antes de publicar, confere a notícia nos maiores sites de política para não errar. Política séria, sem grito e sem torcida.