Comprimido diário prolonga vida de pacientes com câncer de pulmão avançado e estabelece novo marco

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 02/11/2026 14:00
Comprimido diário prolonga vida de pacientes com câncer de pulmão avançado e estabelece novo marco

Foto: via G1

Durante décadas, o diagnóstico de câncer de pulmão em estágio avançado era associado a uma expectativa de vida medida em poucos meses. Agora, um comprimido tomado uma vez ao dia está transformando esse cenário.

Uma pesquisa recente acompanhou pacientes com câncer de pulmão avançado que receberam lorlatinibe, um medicamento oral administrado diariamente. Após sete anos de acompanhamento, 55% dos participantes permaneceram vivos e sem progressão da doença, resultado considerado inédito para um tumor em estágio avançado.

O lorlatinibe não é indicado para todos os casos de câncer de pulmão. Sua eficácia está restrita a tumores que apresentam o rearranjo do gene ALK, alteração genética presente em cerca de 3% a 7% dos casos do tipo mais comum de câncer de pulmão (não pequenas células). Embora represente uma minoria, o destaque se justifica porque o câncer de pulmão continua sendo a principal causa de morte no Brasil, com 31.237 óbitos anuais segundo o INCA.

O medicamento tem custo elevado, estimado em aproximadamente R$ 37 mil por mês, e ainda não está incluído no Sistema Único de Saúde (SUS). O acesso atualmente ocorre por meio de planos de saúde privados, decisões judiciais que obrigam o SUS a fornecê‑lo ou pagamento direto pelos pacientes.

Lorlatinibe exemplifica a chamada terapia-alvo, em que fármacos são desenvolvidos para bloquear mutações específicas que impulsionam o crescimento tumoral. Exames genéticos permitem identificar essas mutações, possibilitando a escolha de medicamentos que interrompem os mecanismos de sinalização que mantêm as células cancerosas ativas.

No caso do rearranjo de ALK, a mutação gera uma proteína defeituosa que funciona como um interruptor permanente de crescimento. Lorlatinibe foi projetado para se ligar a essa proteína, bloquear o sinal de proliferação e, ao mesmo tempo, superar duas limitações das gerações anteriores: a resistência tumoral e a incapacidade de alcançar o cérebro.

A penetração da barreira hematoencefálica é particularmente relevante, pois entre 25% e 40% dos pacientes desenvolvem metástases cerebrais até dois anos após o diagnóstico. Lorlatinibe consegue atravessar essa barreira, oferecendo controle da doença também nas lesões cerebrais.

O fármaco já possui aprovação regulatória e está em uso clínico. Os novos dados ampliam o tempo de seguimento e mostram que, mesmo após sete anos, a maioria dos pacientes ainda tem a doença controlada, mudando a perspectiva dos oncologistas sobre o prognóstico.

Segundo o oncologista Gustavo Schvartsman, do Hospital Albert Einstein, a evolução das terapias de ALK tem sido gradual: "Nunca alguém ultrapassava cinco anos sem progressão quando só havia quimioterapia. Com inibidores de primeira geração, chegamos a 5% a 10% de pacientes; com a segunda geração, 20% a 30%; agora atingimos 55%. O avanço é muito grande e representa um passo enorme no dia a dia do paciente".

Com informacoes de G1.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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