Cobrança de Pedágio no Estreito de Ormuz Pode Gerar Custo de R$ 62 por Hectare na Cana Brasileira

Por Sebastião Gomes da Silva em Rio Verde, GO 14/07/2026 07:08
Cobrança de Pedágio no Estreito de Ormuz Pode Gerar Custo de R$ 62 por Hectare na Cana Brasileira

Foto: via Canal Rural

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que o país passaria a atuar como 'Guardião do Estreito de Ormuz' e cobraria 20% sobre o valor de toda carga que cruzasse o estreito. Essa medida tem gerado grande controvérsia, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificando-a como 'pirataria'. O Estreito de Ormuz é uma via marítima crucial, localizada entre o Irã e Omã, e é utilizada por aproximadamente 20% do petróleo consumido no mundo.

A proposta de Trump é considerada juridicamente questionável, pois a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (Unclos) estabelece que navios de todos os países podem atravessar Ormuz de forma contínua, rápida e sem impedimentos. Além disso, a cobrança de 20% sobre as cargas não encontra respaldo no Direito Internacional, que admite apenas cobranças relativas a serviços efetivamente prestados, como sinalização náutica, praticagem e rebocadores.

O impacto direto dessa medida para o agronegócio brasileiro pode ser significativo, especialmente para a cana-de-açúcar, que apresenta o maior impacto absoluto, com um aumento estimado de R$ 62 por hectare, devido ao elevado consumo de ureia. O milho safrinha também sofreria um impacto considerável, com um aumento estimado em torno de R$ 50 por hectare. A soja, por outro lado, seria relativamente menos afetada, pois não utiliza ureia devido à fixação biológica de nitrogênio.

Além do impacto direto, a medida também pode ter efeitos indiretos significativos, como o aumento do preço do gás natural, que é a principal matéria-prima para a produção de ureia, e o aumento dos custos de frete e seguros marítimos. Isso pode levar a uma escassez física de fertilizantes no mercado internacional, com consequências graves para a produção agrícola.

Para mitigar esses riscos, os produtores rurais podem considerar antecipar compras, diversificar fornecedores e discutir com agrônomos alternativas para racionalizar o uso de ureia ou substituir parte das aplicações por outras fontes de nitrogênio. Além disso, é fundamental acompanhar o câmbio, pois fertilizantes são negociados em dólar, e qualquer desvalorização adicional do real amplia o impacto dos aumentos internacionais.

Com informacoes de Canal Rural.

Sebastião Gomes da Silva

Sobre o Autor: Sebastião Gomes da Silva

Tião é o agro do MOTNAF.NEWS de bota e chapéu. Cotação de soja, milho, boi e café, clima para a safra, tecnologia no campo, exportação e as decisões que mexem com quem produz o alimento do Brasil. Direto, sem enrolação e com o pé no barro, do pequeno produtor ao agronegócio que move o país.