Choque anafilático: entenda a reação que levou à morte de Janaína Barbosa
Como já noticiamos em 04/11, a atriz e apresentadora Janaína Barbosa faleceu na terça‑feira, 3 de novembro, aos 48 anos, e a causa apontada foi um choque anafilático desencadeado após a ingestão de uma medicação.
De acordo com a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), a anafilaxia, também chamada de reação anafilática, é uma reação alérgica de início súbito e evolução rápida, que ocorre quando o sistema imunológico apresenta uma resposta exagerada diante de determinada substância, provocando manifestações simultâneas em diferentes partes do organismo, como pele, sistema respiratório, aparelho digestório e sistema cardiovascular.
A ASBAI classifica a anafilaxia como uma emergência médica, pois pode evoluir rapidamente e colocar a vida em risco; entretanto, a maioria dos episódios pode ser revertida quando reconhecida e tratada adequadamente.
As causas da reação anafilática são variadas. Entre os desencadeantes mais comuns estão alimentos, medicamentos, anestésicos, venenos de insetos, contrastes utilizados em exames radiológicos, transfusões de sangue e derivados, além do látex.
Em adultos, os medicamentos estão entre as causas mais frequentes. A ASBAI destaca especialmente anti‑inflamatórios não hormonais, analgésicos e antibióticos.
A reação pode acontecer após o contato com uma substância à qual a pessoa é alérgica, mesmo que ela já tenha utilizado o mesmo medicamento anteriormente; portanto, o fato de alguém não estar doente ou fazer uso esporádico de uma medicação não elimina a possibilidade de uma reação alérgica grave.
Os termos anafilaxia e choque anafilático estão relacionados, mas não são sinônimos. A anafilaxia é a reação alérgica sistêmica, enquanto o choque anafilático corresponde à sua manifestação mais grave, caracterizada por dilatação intensa dos vasos sanguíneos e queda rápida da pressão arterial, comprometendo a circulação de sangue e oxigênio aos órgãos.
Sintomas cutâneos mais frequentes incluem coceira generalizada, vermelhidão, urticária e inchaços.
Sintomas respiratórios podem se manifestar como falta de ar, tosse, chiado no peito, aperto na garganta e dificuldade para respirar.
No aparelho digestório, a reação pode causar dor abdominal, náuseas, vômitos e diarreia.
Os sinais cardiovasculares englobam tontura, fraqueza, queda da pressão arterial, alterações dos batimentos cardíacos e desmaio.
Um ponto importante é que nem todos os episódios apresentam manifestações na pele; segundo a associação, cerca de 10% das reações anafiláticas podem ocorrer sem alterações cutâneas.
O edema de glote, um inchaço intenso na região da laringe, pode comprometer a passagem de ar e dificultar a respiração, sendo uma das manifestações graves que podem ocorrer durante uma reação anafilática.
A adrenalina, também chamada de epinefrina, é o medicamento mais importante no tratamento da anafilaxia. Deve ser administrada por via intramuscular, na região lateral da coxa, o mais rapidamente possível, promovendo a contração dos vasos sanguíneos, a recuperação da pressão arterial, a dilatação dos brônquios e a redução do comprometimento respiratório.
O atendimento de emergência deve ser acionado imediatamente, pelo SAMU (192), e a pessoa precisa ser encaminhada ao hospital, mesmo que apresente melhora após a aplicação da adrenalina.
Antialérgicos e corticoides podem ser utilizados como medicamentos complementares, mas não substituem a adrenalina no tratamento da reação aguda.
Existe ainda a possibilidade de uma reação bifásica, conhecida popularmente, em que os sintomas retornam após um período de aparente melhora.
Com informacoes de Quem.

