Chanceler da Alemanha cancela conversa com Trump após presidente dos EUA celebrar vitória da extrema‑direita
O chanceler alemão Friedrich Merz cancelou a conversa telefônica prevista para quarta‑feira, 9 de setembro, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O cancelamento ocorreu após Trump comemorar a vitória da Alternativa para a Alemanha (AfD), partido de extrema direita, na eleição estadual de Saxônia‑Anhalt.
Segundo o jornal britânico The Guardian, um porta‑voz do chanceler se recusou a afirmar que as declarações de Trump foram a causa do cancelamento, mas ressaltou que Merz sempre se opôs a comentários e interferências na política interna de outros países, sobretudo em períodos eleitorais.
Trump celebrou na terça‑feira, 8 de setembro, a vitória da AfD em Saxônia‑Anhalt, onde o partido obteve 44 % dos votos.
A vitória, ocorrida no domingo, 6 de setembro, marcou a primeira vez que um partido de extrema direita conquistou uma eleição estadual na Alemanha desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
Em post nas redes sociais, Trump atribuiu o resultado às regras de imigração alemãs, afirmando: "Eles finalmente se cansaram das regras e regulamentações absolutamente horríveis sobre imigração, que prejudicaram tanto a Alemanha. ELES ESTÃO EM ASCENSÃO e não vão mais aceitar isso! MGGA!!!".
A sigla "MGGA" utilizada pelo presidente significa "Make Germany Great Again", adaptação do slogan "Make America Great Again" (MAGA).
Apesar da vitória, a AfD ainda não tem garantido o comando do governo estadual, pois depende da composição do parlamento para alcançar maioria.
O resultado representa também um revés para o chanceler Friedrich Merz, líder da coalizão conservadora que governa a Alemanha, já que a CDU, partido de Merz, ficou bem atrás da AfD em Saxônia‑Anhalt.
Merz e Trump trocaram críticas em abril, quando o chanceler alegou que os EUA estavam sendo "humilhados" na guerra contra o Irã, o que resultou na retirada de parte das tropas norte‑americanas da Alemanha.
A AfD tem a imigração como tema central de suas propostas, defendendo regras mais rígidas para entrada e permanência de estrangeiros, ampliação das deportações e política de "remigração", termo usado para o retorno de imigrantes aos países de origem, além de mudanças nas políticas de integração e medidas mais duras para requerentes de asilo.
Na área da educação, a legenda propõe alterações nas regras de frequência escolar, possibilita o ensino domiciliar, separa crianças refugiadas em turmas específicas e altera o conteúdo das escolas, dando maior ênfase à identidade e à cultura alemãs.
Em energia, a AfD pretende reverter parte da política climática adotada pelo país, ampliar o uso de combustíveis fósseis, retomar a energia nuclear e reduzir o papel das emissoras públicas, restringindo sua atuação a um serviço considerado básico.
Na política externa, o partido defende uma reaproximação com a Rússia, o fim das sanções contra Moscou, a redução do apoio alemão à Ucrânia, além de críticas à União Europeia e a devolução aos países‑membros de competências atualmente concentradas no bloco.
Com informacoes de G1.

