CDS de 5 anos do Brasil recua para 110 pontos, nível mais baixo desde 2020, e se aproxima do México

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 10/10/2026 22:40
CDS de 5 anos do Brasil recua para 110 pontos, nível mais baixo desde 2020, e se aproxima do México

Foto: via Poder360

Na sexta‑feira, 9 de outubro de 2026, o Credit Default Swap (CDS) de cinco anos do Brasil registrou 110 pontos, o patamar mais baixo desde fevereiro de 2020, quando havia atingido 93 pontos durante a gestão de Jair Bolsonaro e antes da pandemia de Covid‑19.

Essa retração indica uma percepção internacional mais favorável ao risco do país e ocorre logo após a divulgação dos resultados do primeiro turno das eleições presidenciais, nas quais Flávio Bolsonaro (PL) obteve 47,03% dos votos válidos, superando Luiz Inácio Lula da Silva, que ficou com 45,16%.

O mercado projeta que um eventual governo de Flávio Bolsonaro adotaria medidas de contenção de despesas e de estabilização da dívida pública, o que ajudou a impulsionar a Bolsa de Valores, a desvalorizar o dólar e a reduzir os juros futuros.

O CDS brasileiro aproximou‑se do nível do México, que apresenta 94 pontos. O México possui classificação de grau de investimento: S&P – BBB com perspectiva negativa; Moody’s – Baa3 com perspectiva estável; Fitch – BBB com perspectiva estável.

Em contraste, o Brasil ainda está na categoria especulativa. As agências de rating atribuem ao país as seguintes notas: S&P – BB com perspectiva estável (dois níveis abaixo do grau de investimento); Moody’s – Ba1 com perspectiva estável (um nível abaixo do grau de investimento); Fitch – BB com perspectiva estável (dois níveis abaixo do grau de investimento).

A melhora observada reflete expectativas de mercado, não uma mudança consolidada nas avaliações de risco; a continuidade desse movimento dependerá da capacidade de um futuro governo Flávio de transformar propostas de ajuste fiscal em ações efetivas.

Um CDS funciona como um seguro contra o calote de um emissor: o comprador paga um prêmio para ser compensado em caso de inadimplência. O número de pontos indica o custo desse seguro; quanto menor o spread, menor o prêmio exigido pelos investidores para assumir o risco de crédito do Brasil.

Entretanto, o CDS não representa diretamente uma probabilidade oficial de calote; a conversão do prêmio em probabilidade implícita depende de hipóteses sobre a taxa de recuperação e da metodologia adotada.

Na mesma semana, o índice Bovespa avançou 8,82%, encerrando próximo a 209 mil pontos, enquanto o dólar recuou 4,40%, cotado a R$ 4,98.

Os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) também registraram queda. O DI para janeiro de 2032 passou de 14,07% em 2 de outubro para 12,52% em 8 de outubro, representando uma redução de 155 pontos‑base. O DI para janeiro de 2035 atingiu mínima de 12,53% e fechou em 12,60%, acumulando queda de 153 pontos‑base desde o término da apuração do primeiro turno. Já o DI para janeiro de 2028 ajustou‑se para 12,54%.

Essas reduções nas taxas indicam que os investidores exigem menor remuneração para negociar contratos atrelados aos juros futuros. Aproveitando o cenário, o Tesouro Nacional captou R$ 33,3 bilhões com a venda de títulos prefixados na sexta‑feira, 8 de outubro, o maior leilão desse tipo desde 2020.

O ritmo intenso de movimentação nas taxas de juros levou analistas a comparar o momento com o período do impeachment da presidente Dilma Rousseff, em 2016.

Com informacoes de Poder360.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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