CBF propõe redução de jogadores estrangeiros e debate sobre formação de jovens no futebol brasileiro

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 24/09/2026 15:00
CBF propõe redução de jogadores estrangeiros e debate sobre formação de jovens no futebol brasileiro

Foto: via Folha de S.Paulo

Na última semana, a maioria dos clubes das primeiras duas divisões do futebol brasileiro manifestou apoio à proposta de diminuição do número de atletas estrangeiros nas equipes, medida defendida pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) como forma de ampliar oportunidades para jogadores nacionais.

De acordo com levantamento apresentado pela própria CBF, a participação de atletas brasileiros com até 23 anos nos minutos jogados caiu de 28% em 2020 para 11% em 2026, ao passo que a presença de jogadores estrangeiros aumentou de 7,8% para 25% no mesmo intervalo.

O mesmo estudo revelou que, entre 2016 e 2025, metade da receita dos clubes proveniente da venda de atletas correspondia a jogadores com até 20 anos de idade, e que a ampliação do uso de jovens poderia gerar maior retorno financeiro para as organizações.

O jornalista e comentarista da TNT Sports, Marcelo Bechler, interpreta que a CBF entende que a diminuição de vagas para estrangeiros elevaria a utilização de jovens talentos, impulsionaria as vendas desses atletas e, consequentemente, fortaleceria as finanças dos clubes, evitando situações de falência.

Bechler alerta, porém, que o mercado pode inflacionar o valor de jogadores medianos antes que os jovens recebam oportunidades reais de atuação, ressaltando que o futebol brasileiro sofre de falta de tempo para desenvolvimento de técnicos e paciência com atletas em formação, além de expectativas excessivamente altas por resultados imediatos.

Segundo o analista, o perfil típico dos jogadores que emergem das categorias de base costuma ser fisicamente robusto e rapidamente inserido nos elencos principais, enquanto atletas mais magros, porém mais inteligentes e talentosos, demandam um período maior de amadurecimento que muitas vezes não é concedido, o que acaba por limitar a formação de meio‑campistas capazes de ditar o ritmo de jogo.

Ele cita como exemplo a abundância de pontas e atacantes de destaque, como Rayan, Endrick, Vinícius, Estêvão, Rodrygo e Raphinha, mas aponta a escassez de meio‑campos de criação, o que leva clubes a buscar o típico “enganche” argentino ao invés de desenvolvê‑lo internamente.

Dados da Série A apontam idade média de 27 anos nos elencos, com 25% de jogadores estrangeiros, enquanto a Série B apresenta média de 28 anos e 7% de atletas de fora. Mesmo na segunda divisão, onde a presença de estrangeiros é menor, os clubes não têm apostado de forma consistente na promoção de jovens.

O debate permanece aberto quanto à efetividade da limitação de estrangeiros como solução para a carência de formação de base, já que fatores estruturais como tempo de desenvolvimento e cultura de resultados imediatos continuam influenciando o cenário nacional.

Com informacoes de Folha de S.Paulo.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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