CBF aprova redução gradual de estrangeiros e cria cota mínima de jogadores sub‑23 no Brasileirão
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) aprovou mudanças que reduzem o número máximo de jogadores nascidos fora do Brasil nas partidas das competições nacionais. Atualmente os clubes podem relacionar até nove estrangeiros por jogo; a partir de 2027 esse limite será de oito e diminuirá um atleta a cada ano, chegando a cinco estrangeiros por partida em 2030.
Essa restrição de relacionados não determina quantos estrangeiros cada clube pode ter em seu elenco. Exemplos recentes mostram que Botafogo e Vasco, ambos da Série A, mantêm 12 estrangeiros em seus grupos, número superior ao limite de nove por partida. No conjunto dos 20 clubes da elite nacional, somam‑se 158 jogadores estrangeiros, sendo que o Mirassol é o único clube que não possui nenhum atleta estrangeiro em seu plantel.
Paralelamente, a CBF instituiu uma cota mínima para atletas com até 23 anos nas listas de inscritos no Brasileirão, que compreendem 50 jogadores. Até o momento não há diretriz obrigando a inclusão de jovens, mas a partir de 2027 os clubes deverão registrar no mínimo 20 sub‑23. Esse número crescerá gradualmente até atingir 25 jogadores nessa faixa etária, sem que haja obrigatoriedade de tempo de jogo para esses atletas.
Os indicadores que embasaram a proposta apontam para a diminuição de minutos destinados a jogadores revelados no país e para uma dinâmica de partidas menos intensa. Na edição 2026 do Brasileirão, atletas sub‑23 receberam apenas 11,5% dos minutos totais, queda significativa em relação aos 28,3% registrados em 2020. Já os estrangeiros acima de 23 anos passaram de 7,1% dos minutos em 2021 para 25% na temporada atual.
Outro ponto destacado foi o aumento da média de idade dos atletas inscritos, que chegou a 28,5 anos, acima da média das cinco principais ligas europeias. A idade média dos jogadores contratados por clubes brasileiros também subiu para 26,3 anos, superior à média das principais ligas da Europa, e a velocidade média percorrida pelos atletas (acima de 20 km/h) ficou abaixo dos padrões europeus, indicando um ritmo de jogo menos intenso.
A proposta encontrou resistência de alguns clubes. Flamengo, Bahia e Londrina votaram contra a redução dos estrangeiros. Guilherme Bellintani, dono da SAF do clube paranaense e ex‑presidente do Bahia, alertou que a medida pode comprometer a competitividade do futebol brasileiro em relação aos rivais sul‑americanos, embora reconheça a possibilidade de abrir mais espaço para jogadores nacionais e jovens.
Apesar da aprovação, dirigentes ressaltaram que a redução gradual pode ser revisada antes de 2030, mantendo a opção de ajustar o número limite de estrangeiros caso os resultados não correspondam às expectativas da CBF.
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Com informacoes de O GLOBO.

