Casos de câncer vinculados ao 11 de setembro ultrapassam 57 mil, aponta programa de saúde

Por Theodoro Augusto Martins em Rio Verde, GO 11/09/2026 10:00
Casos de câncer vinculados ao 11 de setembro ultrapassam 57 mil, aponta programa de saúde

Foto: 2977 Lights Over New York Harbor/Reprodução

Vinte e cinco anos após os atentados de 11 de setembro de 2001, o número de casos de câncer reconhecidos pelo World Trade Center Health Program continua em ascensão, atingindo 57.044 certificações relacionadas à exposição no World Trade Center, de acordo com dados de agosto de 2026.

Nos últimos 12 meses, 10.393 novas certificações de câncer foram adicionadas ao programa. Pela primeira vez, sobreviventes civis – moradores, trabalhadores e estudantes da região afetada – superam bombeiros, policiais e demais profissionais de resgate e limpeza, totalizando 28.913 certificações para civis contra 28.131 para os envolvidos nas operações de emergência.

Das 14.711 condições de saúde certificadas como decorrentes da exposição nos últimos 12 meses, 10.393 são cânceres. Entre os inscritos vivos, o tipo mais frequente é o câncer de pele não melanoma, com 18,38 mil certificações.

Estudos epidemiológicos reforçam o aumento de determinados tumores. Uma meta‑análise publicada em 2022, que analisou mais de 69 mil socorristas e voluntários, revelou 19 % a mais de casos de câncer de próstata e 81 % a mais de câncer de tireoide nesse grupo. Já uma pesquisa de 2020 apontou risco 41 % maior de leucemia entre profissionais que atuaram no Ground Zero em comparação com moradores da mesma região que não tiveram contato com a poeira.

O oncologista Stephen Stefani, da Oncoclínicas e da Americas Health Foundation, explicou que a exposição a substâncias como amianto, benzeno, sílica e chumbo pode interferir nos mecanismos de correção de erros durante a divisão celular. “A divisão celular ocorre milhões de vezes ao longo da vida e sempre produz falhas. Um organismo saudável elimina essas falhas antes que se acumulem. A exposição a agentes como asbestos, benzeno, sílica e chumbo desarma esse sistema de correção: as mutações passam a se multiplicar sem freio, e o tumor encontra espaço para se formar”, afirmou em entrevista ao g1.

Experimentos com camundongos expostos à poeira do World Trade Center demonstraram inflamação mais intensa e ativação de genes ligados à multiplicação celular descontrolada, corroborando as hipóteses de risco aumentados.

O World Trade Center Health Program acompanha cerca de 145 mil pessoas inscritas, oferecendo monitoramento e tratamento, inclusive quimioterapia e medicamentos de alto custo, por meio de uma rede de prestadores nos Estados Unidos. Cada caso passa por avaliação médica para determinar se a exposição foi fator relevante na etiologia da doença.

Na esfera judicial, mais de 170 mil documentos da Prefeitura de Nova York foram recentemente tornados públicos, revelando falhas na resposta aos ataques e informações sobre a qualidade do ar na região. O acompanhamento médico foi estendido até 2090, considerando que algumas doenças relacionadas à exposição podem demorar décadas para se manifestar. Advogado e ex‑paramédico Matthew McCauley destaca que esses documentos podem auxiliar pesquisas sobre os efeitos dos atentados, apontando, por exemplo, que ainda não há cobertura para indivíduos que estavam no útero no momento dos ataques.

Com informacoes de Olhar Digital.

Theodoro Augusto Martins

Sobre o Autor: Theodoro Augusto Martins

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