Anthropic relata bloqueio de tentativa de criação de arma biológica usando Claude
Anthropic anunciou que conseguiu impedir possíveis tentativas de criação de armas biológicas por meio de seu modelo de linguagem Claude, informação que constou em seu relatório de riscos publicado nesta quinta‑feira, 10/09 (ilustração: Victor Pádua/Tecnoblog).
Durante a análise, a empresa identificou diversas interações classificadas como “alto risco biológico”, sendo a mais destacada uma pesquisa realizada por virologistas que buscavam entender mutações genéticas no vírus Chikungunya, arbovírus endêmico em regiões tropicais e uma das arboviroses mais frequentes no Brasil.
Embora a consulta pudesse ter finalidade legítima, como o desenvolvimento de vacinas ou terapias, a Anthropic alertou que o mesmo tipo de questionamento poderia ser usado para projetar cepas mais virulentas, criando um precedente perigoso para a weaponização do agente.
Além do caso do Chikungunya, o relatório listou quatro outras situações consideradas de risco elevado: adaptações de gripe aviária, potencialização dos efeitos paralisantes de venenos conhecidos, modificações de toxinas e outras manipulações biológicas não especificadas.
O documento também apontou rastros de espionagem governamental e uso militar da IA, destacando consultas originárias de instituições vinculadas a países que a Anthropic descreve como rivais econômicos dos Estados Unidos, especificamente China e Rússia.
Para enfrentar esses desafios, a Anthropic citou o “Project Glasswing”, um consórcio de empresas e agências governamentais dos EUA que recebeu acesso antecipado ao Claude com o objetivo de desenvolver mecanismos de defesa contra abusos, sobretudo na área de cibersegurança.
A análise abrange incidentes ocorridos entre dezembro de 2025 e agosto de 2026, e a empresa afirma que bloqueou as ações identificadas antes que pudessem ser efetivadas, embora não tenha sido possível determinar com certeza a intenção dos usuários.
Essa revelação vem logo após críticas de um ex‑desenvolvedor da Anthropic, que denunciou irresponsabilidades na corrida pela superinteligência, e ecoa os alertas de Jacob Coxon, publicados em 8 setembro, sobre os perigos existenciais de IA descontrolada.
Anthropic espera que a divulgação desses casos estimule o debate entre desenvolvedores, reguladores e a sociedade, impulsionando a criação de salvaguardas mais robustas contra o mau‑uso da tecnologia.
Não é a primeira vez que a Anthropic aparece em destaque em nosso portal; já cobrimos a instabilidade que afetou o Claude em 03/09, reforçando a importância contínua de monitorar o uso responsável das IAs.
Com informacoes de Tecnoblog.

