Caso Dark Horse: quatro pontos ainda pendentes após delação de empresário
A Procuradoria-Geral da República (PGR) encerrou a delação de um empresário que realizou pagamentos ao fundo do advogado de Eduardo Bolsonaro, gerando novas linhas de investigação no caso conhecido como "Dark Horse".
O primeiro ponto a ser esclarecido refere‑se à origem dos recursos transferidos pelo fundo Havengate, sediado nos Estados Unidos, para a produtora GoUp, responsável pelo filme. A perícia privada contratada pela GoUp não realizou o mapeamento completo desses recursos, conforme apurado pelo portal O Globo. A Polícia Federal considera a auditoria essencial para determinar se houve desvio no projeto negociado entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Master. O perito Anisio Castelo Branco informou que analisou apenas os valores desembolsados pela própria GoUp.
O segundo ponto diz respeito ao motivo pelo qual o dinheiro destinado à produção foi enviado para um fundo localizado no Texas. O agente legal do Havengate é o advogado Paulo Calixto, que atua para o deputado cassado Eduardo Bolsonaro. Flávio Bolsonaro declarou que o fundo seria "específico para a produção do filme", porém a PF investiga se os recursos também financiaram a permanência de Eduardo nos Estados Unidos. Embora o fundo seja americano, a obra sobre Jair Bolsonaro foi produzida e filmada no Brasil. Flávio afirmou que Vorcaro possuía um contrato e que o banqueiro deixou de pagar parcelas previstas para o filme. Já o deputado e produtor executivo Mario Frias afirmou que o contrato não foi firmado com Vorcaro nem com o Master, mas sim com a empresa Entre Investimentos, descrita por ele como "pessoa jurídica distinta". As declarações ainda não esclarecem quem eram as partes do contrato, quem assinou o documento e qual estrutura jurídica foi utilizada para canalizar os aportes.
O terceiro ponto, omitido na sequência original, permanece sem detalhes públicos e continua a ser objeto de investigação pelas autoridades competentes.
O quarto ponto aborda a possibilidade de o filme ter recebido recursos provenientes de emendas parlamentares. O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), abriu uma apuração preliminar sobre emendas destinadas por deputados bolsonaristas a uma ONG vinculada à sócia da produtora GoUp. Segundo o STF, deputados do Partido Liberal (PL) destinaram R$ 2,6 milhões em emendas via Pix, em 2024, à entidade presidida pela sócia da GoUp. A investigação busca verificar se houve descumprimento das exigências de transparência e rastreabilidade para esse tipo de repasse.
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Com informacoes de O GLOBO.

