Caí do sétimo andar, perdi a visão e parte da perna após uso de zolpidem, diz médico

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 22/08/2026 09:20
Caí do sétimo andar, perdi a visão e parte da perna após uso de zolpidem, diz médico

Foto: via Folha de S.Paulo

Vitor Piva, médico de 34 anos, relata que após consumir vários comprimidos de zolpidem ao chegar em casa depois de plantão, caiu da sacada do seu apartamento no sétimo andar, perdeu a visão e teve parte da perna direita amputada.

O acidente ocorreu na manhã de 29 de junho de 2022, quando Piva, então com 30 anos, não conseguia dormir devido ao estresse do trabalho e ao barulho de uma obra próxima ao prédio na Consolação, região central de São Paulo. Ele tomou inicialmente um comprimido de zolpidem, mas ao não sentir efeito ingeriu mais alguns, sem saber ao certo a quantidade total.

Ao acordar na UTI, o médico constatou que não conseguia enxergar e que parte da perna direita havia sido amputada; a queda foi da sacada do sétimo andar. Desde então, ele realiza reabilitação física para conviver com as sequelas e utiliza a experiência como alerta sobre o uso indiscriminado do medicamento.

Dados da Anvisa mostram que, entre 2018 e 2023, as vendas de zolpidem no Brasil aumentaram de 13,2 milhões de caixas para quase 22 milhões de caixas, impulsionadas desde o início da pandemia de Covid-19 em 2020.

Em novembro de 2023, a Academia Brasileira de Neurologia (ABN) emitiu alerta sobre o uso inadvertido do zolpidem, transformando o fármaco mais popular para insônia em um problema de saúde pública, com aumento da dependência, abuso e crises de abstinência associadas às chamadas drogas Z. O alerta foi publicado na revista Arquivos de Neuro‑Psiquiatria, constituindo o primeiro consenso brasileiro sobre abuso, dependência e manejo seguro de zolpidem, zopiclona e eszopiclona.

Em agosto de 2024, a Anvisa aprovou resolução que tornou a prescrição de zolpidem mais rígida, exigindo receita B (azul) de controle especial, restringindo seu acesso.

As drogas Z, lançadas nos anos 1990 como alternativa mais segura aos benzodiazepínicos para insônia ocasional, têm sido associadas a dependência química, crises de abstinência e eventos adversos como sonambulismo, dirigir dormindo e delírios.

Vitor Piva conta que, desde a infância, desejava cursar medicina para cuidar das pessoas, morava em Cuiabá (MT), passou no vestibular para a Universidade de Vassouras (RJ), mudou‑se para lá, concluiu a graduação em 2018 e retornou a Cuiabá, planejando um curto período na cidade antes de…

Com informacoes de Folha de S.Paulo.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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