Bolsas europeias recuam 1% diante de risco fiscal e alta do petróleo
As bolsas europeias encerraram a sessão de quarta‑feira em queda, corrigindo ganhos recentes e reagindo a preocupações políticas e ao déficit, sobretudo na França. Investidores também observaram a retomada da alta dos preços do petróleo, alimentada pelas incertezas geopolíticas no Oriente Médio, com a crise entre os Houthis do Iêmen e a Arábia Saudita. Não é a primeira vez que o petróleo pressiona os mercados europeus, como já destacamos em 14 de setembro.
O índice pan‑europeu Stoxx 600 terminou as negociações com recuo de 1,00%, a 630,25 pontos. Entre os principais índices, o FTSE 100 de Londres fechou em baixa de 0,79%, a 10.458,50 pontos; o DAX de Frankfurt recuou 1,35%, a 25.104,36 pontos; e o CAC 40 de Paris registrou perda de 1,22%, a 7.769,21 pontos. A cotação do euro, que acompanha de perto essas oscilações, esteve em R$5,60 na quarta‑feira, conforme nossa cobertura de 7 de outubro.
Os juros dos títulos franceses permaneceram em foco nas negociações orçamentárias, com o governo do presidente Emmanuel Macron mantendo a meta de limitar o déficit a 5% do Produto Interno Bruto (PIB).
Em análise, o banco ING apontou que o plano fiscal da candidata à presidência Marine Le Pen “pode dar um suporte momentâneo aos OATs, mas a falta de credibilidade e a incerteza eleitoral à frente ainda apontam para riscos de alargamento dos spreads”.
O avanço do petróleo, após os Houthis reivindicarem novos ataques na Arábia Saudita, também pressionou as negociações europeias. Apesar da alta dos preços de energia, o dirigente do Banco Central Europeu (BCE) Álvaro Santos Pereira, de Portugal, afirmou que os níveis atuais de inflação e de inflação subjacente estão muito abaixo dos observados durante o choque de energia de 2022, e que não há, neste momento, efeitos de segunda ordem.
Outro representante do BCE, Primoz Dolenc, da Eslovênia, ressaltou que a postura atual de política monetária da zona do euro permitirá às autoridades reagir a qualquer choque.
A produção industrial da Alemanha subiu 2% em agosto em relação a julho, e, para o ING, a recuperação indica que o impacto econômico da onda de calor e da seca no período foi menos severo do que se temia.
Entre os destaques acionários, o setor bancário recuou 3,3%, com quedas lideradas por instituições francesas, como Société Générale (-5,1%) e BNP Paribas (-4,1%). Em Amsterdã, o ABN AMRO recuou 3,8% depois que o governo da Holanda anunciou a intenção de reduzir sua participação no banco para 10,5%.
No setor automobilístico, a Porsche caiu 0,5% após comunicar que pretende tornar seus carros ainda mais exclusivos, ao mesmo tempo em que continua cortando custos e simplificando operações visando à rentabilidade.
*Com informações da Dow Jones Newswires
Com informacoes de Money Times.

