Bolsa sobe mais de 7% e dólar recua 4% após Flávio Bolsonaro liderar 1º turno; economistas questionam duração do otimismo

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 07/10/2026 10:20
Bolsa sobe mais de 7% e dólar recua 4% após Flávio Bolsonaro liderar 1º turno; economistas questionam duração do otimismo

Foto: via G1

O senador Flávio Bolsonaro (PL) liderou o primeiro turno das eleições presidenciais, obtendo 47,03% dos votos contra 45,16% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com uma diferença aproximada de 2,2 milhões de votos, surpreendendo as pesquisas de intenção de voto.

Imediatamente após a divulgação dos resultados, o mercado financeiro reagiu positivamente: o Ibovespa disparou mais de 7%, ultrapassou a marca de 206 mil pontos e registrou recorde na primeira sessão pós-apuração, enquanto o dólar recuou mais de 4%, cotando R$5, a maior queda desde 2018.

Analistas interpretam a alta da bolsa como reflexo da expectativa de que um eventual governo Flávio Bolsonaro poderia apresentar maior compromisso com o equilíbrio das contas públicas, o que poderia reduzir as taxas de juros projetadas para os próximos anos e estimular a procura por investimentos no Brasil.

Entretanto, economistas ressaltam cautela. Até o momento, a campanha de Flávio não apresentou medidas concretas para o ajuste fiscal, o que pode transformar a euforia em decepção caso o candidato não apresente propostas viáveis ao assumir o cargo.

André Galhardo, economista‑chefe da Análise Econômica, questionou a longevidade do otimismo ao comparar a situação a um “amor de verão”. Ele destacou que Flávio precisará apresentar propostas factíveis, politicamente viáveis e que não comprometam a saúde da economia brasileira.

Alexandre Schwartsman, ex‑diretor do Banco Central, manifestou ceticismo quanto à capacidade de um eventual governo Flávio de cumprir o ajuste fiscal esperado. Segundo ele, “o histórico de Flávio é inexistente sobre esse tema” e a agenda de reformas é “difícil, impopular e exige grande capital político”.

Schwartsman apontou que o ajuste das contas públicas envolve temas sensíveis como mudanças na Previdência, no salário mínimo e em programas sociais, sem sinais claros de disposição para enfrentar essa agenda. Contudo, a maior bancada do PL no Congresso poderia facilitar a articulação de reformas.

O economista enfatizou que o próximo governo terá pouco tempo para transformar expectativas em sinalizações concretas, afirmando que “não dá para esperar a posse; é preciso mostrar a que veio”. Ele sugeriu que, entre a eleição e a posse, já devem ser indicados os rumos, ainda que não detalhadamente.

Maílson da Nóbrega, ex‑ministro da Fazenda, compartilhou a mesma perspectiva, ressaltando que o presidente eleito – quem for – precisará, no máximo, no primeiro dia de governo, explicitar as medidas para estabilizar as contas públicas e evitar o colapso das expectativas econômicas.

Enquanto isso, o plano de Flávio Bolsonaro promete um “grande tesouraço” para cortar gastos públicos, ao passo que a gestão de Lula foca em investimentos e ajuste gradual das contas.

No Congresso, o PL também foi o grande vencedor do pleito, consolidando a maior bancada do partido, o que pode influenciar a viabilidade de reformas futuras.

Com informacoes de G1.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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