Biscoitos de Antigamente: Mitos e Verdades
A disputa entre 'bolacha' e 'biscoito' divide o Brasil há décadas, mas um consenso parece ter surgido entre os consumidores: a sensação de que os biscoitos de antigamente eram melhores. Nas redes sociais, relatos de consumidores se repetem, dizendo perceber mudanças no recheio, na textura e até no sabor de produtos que fizeram parte da infância.
Henrique Lira, de 44 anos, revisitou alguns dos biscoitos que marcaram sua infância e percebe diferenças em produtos tradicionais, principalmente na textura, no recheio e na quantidade encontrada nas embalagens. 'Muitos mudaram. Começando pela quantidade: vários produtos perderam peso e, se você perceber, parece que alguns pacotes ficaram com quatro ou cinco unidades a menos.', afirma.
Cristiane Ruffi, pesquisadora do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), explica que alterações em ingredientes, processos de fabricação, embalagens e fornecedores podem modificar características como sabor, aroma, textura e crocância. A percepção dos consumidores tem fundamento, mas as mudanças também podem ocorrer por fatores econômicos, como redução de custos, diminuição das porções para manutenção do preço de venda ou estratégias das empresas para ampliar seus portfólios.
A professora Fernanda Vanin, da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da USP, explica que a indústria evoluiu junto com a ciência dos alimentos e que os produtos atuais passam por controles mais rigorosos de segurança. A evolução dos alimentos industrializados também trouxe avanços na segurança, com monitoramento de substâncias indesejadas, como a acrilamida, que pode se formar naturalmente durante o aquecimento de alimentos ricos em carboidratos.
A memória afetiva também pode alterar a percepção do sabor. Aline Garcia, pesquisadora do Ital, explica que muitas vezes o consumidor compara o produto atual não com a fórmula original, mas com uma lembrança construída ao longo dos anos. Fatores econômicos, como a alta das matérias-primas e a inflação dos alimentos, também ajudaram a transformar os produtos, com a prática de 'reduflação' e 'skimpflation' se tornando comuns.
O economista Valter Palmieri Jr. explica que a 'inflação invisível' pode levar a alterações na quantidade, na composição ou na qualidade percebida do produto, sem que o consumidor perceba apenas um aumento direto no preço. A 'reduflação' é um fenômeno associado, onde a receita permanece praticamente igual, mas a quantidade do produto diminui.
Com informacoes de G1 Agronegócios.

