BDRs podem ampliar a diversificação do Ibovespa em 2027, aponta economista do Bank of America
A B3 anunciou que pretende admitir Brazilian Depositary Receipts (BDRs) na composição do Ibovespa ainda no primeiro semestre de 2027, medida que, segundo o economista-chefe do Bank of America no Brasil, David Beker, deve ampliar a variedade de ativos do principal índice da bolsa.
Atualmente, o setor financeiro responde por cerca de 27% do Ibovespa. Beker alerta que a participação desse segmento pode aumentar, já que o índice BR+, que já incorpora BDRs, tem quase 30% de exposição ao financeiro. “Existem diversas BDRs do setor, como o Nubank (ROXO34), que já integra o BR+. Será necessário observar como os pesos setoriais se ajustarão no Ibovespa após a inclusão das BDRs, respeitando o limite de participação”, explicou o especialista em entrevista ao Money Times.
Outros segmentos também podem ganhar relevância. O consumo discricionário tem maior representatividade no BR+ graças à presença do Mercado Livre (MELI34), que sozinho responde por mais de 11% do índice e figura como o ativo de maior peso. Além de MELI34, outras empresas apontadas como candidatas a entrar no “grupo seleto” do Ibovespa são Nubank (ROXO34) e XP (XPBR31). Beker ainda citou que os três maiores BDRs no BR+ são MercadoLibre (MELI34), Nubank (ROXO34) e JBS (JBSS32).
Entre os possíveis novos integrantes do Ibovespa, o Bank of America também considera Stone (STOC34), Inter (INBR32) e Aura Minerals (AURA33), avaliando critérios como liquidez e risco‑país. Vale lembrar que o BDR INBR32 deixará de ser negociado na B3 em outubro, quando se iniciará a negociação do INBR34.
A B3 propôs um teto de 10% para a participação total das BDRs no Ibovespa. Segundo Beker, a regra tem caráter regulatório e visa suavizar a transição para a nova metodologia, impedindo que fundos e investidores ultrapassem limites estabelecidos para BDRs. “O limite facilita a absorção da mudança com menor impacto no primeiro rebalanceamento”, destacou.
O economista prevê que a entrada de BDRs provocará uma migração pontual de fluxos de fundos passivos e ETFs que utilizam o Ibovespa como referência, com saída dos componentes atuais e ingresso das novas cotas. Contudo, por serem listadas na B3, não se espera um impacto cambial ou fluxos internacionais significativos.
Liquidez é outro ponto levantado por Beker. Ele lembra que a negociação de BDRs costuma ser menos líquida que a de ações listadas localmente, o que deve ser ponderado na avaliação de sua inclusão. Além disso, a diferença entre os critérios de seleção do Ibovespa – predominantemente baseados em liquidez – e de índices internacionais como a MSCI, que dão maior peso ao tamanho e ao free float, pode aproximar o índice brasileiro ao modelo usado pela MSCI Brasil, que já aceita ações estrangeiras.
O Ibovespa atualmente reúne 76 papéis de 74 empresas brasileiras. A composição vigente entrou em vigor neste mês, tem validade até dezembro e será revisada a cada quatro meses. Caso o limite de 10% seja revisto, a decisão dependerá da aceitação do mercado e da evolução do ambiente regulatório.
Para contextualizar, não é a primeira vez que o Ibovespa está em foco nas nossas análises; já abordamos, por exemplo, a reação do Ibovespa futuro em 11/09, quando o índice recuou 0,19% diante de expectativas de IPCA e eleições.
Os BDRs são certificados negociados na B3 que representam ações de empresas estrangeiras ou brasileiras listadas em bolsas internacionais, permitindo que investidores locais tenham exposição a esses ativos sem operar fora do país. Hoje, cerca de 818 BDRs estão listados na B3, dos quais aproximadamente 55% são negociados nas bolsas norte‑americanas Nasdaq e S&P 500.
A proposta de incluir BDRs no Ibovespa não surpreende o mercado, já que a B3 tem dialogado com participantes para entender as necessidades de diferentes perfis de investidores. Ainda assim, o mercado aguarda detalhes sobre a implementação da nova metodologia.
Com informacoes de Money Times.

