Bank of America vê mercado precificando 40% de chance de alta no Ibovespa antes das eleições, mas alerta sobre juros e dívida
Com oito dias restantes para a disputa presidencial, o Bank of America (BofA) constatou que o mercado brasileiro já incorporou parte de um cenário mais otimista para os ativos locais, refletido no nível atual do Ibovespa, que gira em torno de 183 mil pontos.
Segundo o banco, esse patamar sugere que os investidores atribuem aproximadamente 40% de probabilidade ao cenário de alta (bull case) elaborado pela instituição, frente aos 27% observados há um mês. “Os preços de mercado estão próximos de precificar 40% de probabilidade de um mercado de alta”, afirma o BofA.
O avanço da Bolsa nas últimas semanas, que já registrou alta de cerca de 12% em relação às mínimas do ano e ainda está aproximadamente 6% abaixo das máximas de 2026, refletiu melhora do sentimento em relação ao Brasil. Contudo, o banco ressalta que a disputa presidencial permanece aberta e que ainda há incertezas relevantes no horizonte.
Na visão do BofA, o principal catalisador para uma nova rodada de valorização das ações brasileiras continua sendo a trajetória da política monetária. Como os juros reais permanecem próximos das máximas históricas, o banco avalia que um cenário positivo exige um ciclo mais intenso de cortes da Selic. “O cenário de alta pressupõe uma Selic de 10,50% no final de 2027, um crescimento de lucros ligeiramente maior e uma reprecificação positiva dos múltiplos atuais”, explica a análise.
O cenário mais pessimista, por sua vez, considera a interrupção do processo de afrouxamento monetário, projetando “nenhum corte adicional de juros e a manutenção de múltiplos deprimidos”. O BofA deixa claro que esses cenários são apenas referências analíticas e não projeções eleitorais.
Gestores da América Latina demonstram otimismo cauteloso. Na pesquisa mais recente do banco, 73% dos investidores acreditam que o Ibovespa encerrará o ano acima de 180 mil pontos, contra 34% no mês anterior. Entretanto, apenas 30% dos entrevistados afirmaram que ampliariam a exposição à Bolsa nos níveis atuais, preferindo aguardar correção ou maior clareza sobre o cenário eleitoral.
O relatório também destaca que o principal fator para o desempenho da Bolsa após as eleições não será necessariamente o vencedor da disputa, mas a capacidade do próximo governo de endereçar a questão fiscal. O BofA projeta que a dívida bruta brasileira alcance 83,1% do PIB ao fim de 2026, acima dos 71,4% observados quando o atual governo assumiu o cargo. Para estabilizar essa trajetória, seria necessário um ajuste fiscal equivalente a aproximadamente 3,5% do PIB.
Com mais de 90% dos gastos federais sendo obrigatórios, a margem de manobra para cortes de despesas é limitada. “Dívida de 83% do PIB significa que a questão fiscal é o verdadeiro tema da eleição”, resume o banco.
Em termos de valuation, o Ibovespa ex‑commodities negocia cerca de 7% acima da média histórica ajustada pelos juros, mas o BofA alerta que revisões negativas para os lucros corporativos de 2027 permanecem como risco importante para a Bolsa brasileira. Como já apontamos em cobertura anterior, a expectativa de cortes da Selic tem sido ponto central nas projeções de longo prazo para o índice.
Com informacoes de Money Times.

