Bank of America mantém recomendação neutra para Brasil, mas aponta dois riscos principais

Por Ronaldo Batista Souza em Rio Verde, GO 02/09/2026 20:44
Bank of America mantém recomendação neutra para Brasil, mas aponta dois riscos principais

Foto: de arquivo / USN: KBN3T21FY/ ID: tag:reuters

O Bank of America manteve a recomendação market‑weight (neutra) para o Brasil, sinalizando que o cenário de juros mais desafiador e expectativas mais fracas para os resultados corporativos permanecem como obstáculos ao desempenho da bolsa.

Segundo os analistas da instituição, a incerteza fiscal após as eleições continua sendo a principal preocupação, embora os fatores técnicos do mercado brasileiro tenham apresentado uma melhora marginal.

O Ibovespa (IBOV) acumula queda de cerca de 9 % em relação às máximas registradas neste ano, movimento que, de acordo com o BofA, tornou os preços das ações mais atrativos.

Excluindo as empresas de commodities, o índice está negociado com desconto de 15 % em relação às médias históricas.

O fluxo de saída de investidores estrangeiros perdeu força nas últimas semanas, o que o banco interpreta como um sinal positivo para a bolsa.

Apesar desse aspecto, o ambiente macroeconômico ainda é considerado frágil: os indicadores de crédito pioraram, a temporada de balanços ficou abaixo do esperado e a confiança dos investidores permanece baixa.

Na América Latina, o BofA reduziu a exposição ao México, rebaixando a recomendação de neutra para underweight (venda), citando atividade econômica mais fraca, incerteza quanto aos investimentos relacionados ao acordo USMCA (Estados Unidos‑México‑Canadá) e preocupações fiscais.

Em contrapartida, a instituição adotou uma visão ligeiramente overweight (compra) nos países andinos, aumentando a exposição ao Peru, enquanto a recomendação para a Argentina segue como compra.

Quanto à política monetária brasileira, o banco considera que ela permanece restritiva, com o Banco Central enfatizando a necessidade de manter as expectativas de inflação ancoradas, apesar dos sinais de moderação da atividade e de alívio inflacionário.

O BofA projeta mais um corte da taxa Selic antes de iniciar uma pausa prolongada, com a taxa encerrando 2026 em 13,75 %, recuando para 12,75 % em 2027 e 11,75 % em 2028.

Com dados mais benignos de inflação e desaceleração econômica, o cenário de novas reduções no juro básico ganha força.

A atenção está cada vez mais voltada para as eleições brasileiras de 2026, com o primeiro turno marcado para 4 de outubro e um eventual segundo turno em 25 de outubro.

Na esfera fiscal, o aumento da dívida pública exige um ajuste relevante, porém a estrutura rígida de gastos do Brasil limita o espaço para uma consolidação fiscal efetiva.

Com as eleições no radar, a visão neutra para o Brasil pode ser desafiada pelos resultados eleitorais e pela percepção do mercado em relação às propostas dos candidatos.

No atual cenário, o BofA prefere empresas líquidas de grande capitalização, capazes de gerar fluxo de caixa em um ambiente de juros elevados por mais tempo.

Com informacoes de Money Times.

Ronaldo Batista Souza

Sobre o Autor: Ronaldo Batista Souza

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