Autocustódia de criptoativos ganha força no interior brasileiro, aponta levantamento da DSEC Labs
O interesse por soluções que permitem ao investidor armazenar criptoativos sem depender de terceiros está se expandindo para além dos grandes centros urbanos. De acordo com a DSEC Labs, nos oito primeiros meses de 2026, municípios do interior responderam por 37,65% do volume financeiro analisado, frente a apenas 12,32% no mesmo período de 2025.
Esse salto representa um crescimento de 25,33 pontos percentuais em um ano, resultando em mais de três vezes a participação anterior. Em contraste, a fatia das capitais diminuiu de 87,68% para 62,35%, embora ainda concentrem a maior parte da demanda registrada.
O estudo, que considerou a localização dos clientes da DSEC Labs, comparou os oito primeiros meses de 2025 com o mesmo intervalo de 2026 e segmentou os dados por estado, região e cidade. “Por muito tempo, o mercado de criptoativos esteve ligado aos grandes centros. Agora os números mostram uma busca por autocustódia mais distribuída geograficamente”, declarou Leonardo Maximiliano, CEO da DSEC Labs.
Mesmo com a descentralização, São Paulo permanece como o principal mercado da empresa para serviços de autocustódia. Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina completam as cinco primeiras posições do ranking estadual para o período de janeiro a agosto de 2026.
Na divisão regional, o Sudeste responde por 51,35% da base analisada, seguido pelo Sul com 17,36%, Nordeste com 16,99%, Centro‑Oeste com 7,06% e Norte com 4,97%. A proximidade entre as participações do Sul e do Nordeste indica que o interesse já não está restrito às áreas de maior renda ou aos tradicionais polos financeiros.
Entre os dez estados com maior procura estão São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Bahia, Distrito Federal, Ceará, Rio Grande do Sul e Mato Grosso. Estados de menor porte também registraram crescimento significativo: Tocantins apresentou alta de 129,1% em relação ao mesmo período de 2025, Rondônia 64,6%, Maranhão 40,8% e Piauí 28,1%.
Esses percentuais não significam que esses estados superaram os principais mercados em volume financeiro; como as bases iniciais são menores, as variações devem ser vistas como sinal de expansão da procura dentro da amostra, e não como retrato definitivo do setor nacional.
Em termos de cidades, São Paulo e Rio de Janeiro continuam entre os principais mercados, acompanhados por Brasília, Curitiba, Salvador, Fortaleza e Belo Horizonte. Contudo, municípios fora das capitais passaram a apresentar maior participação e crescimento anual, reforçando a tendência de desconcentração observada.
Autocustódia consiste no controle direto das chaves privadas pelo usuário, ao contrário de delegar essa função a corretoras ou outros intermediários. Uma das opções mais usadas são as hardware wallets, dispositivos que mantêm as chaves isoladas de ambientes conectados à internet e autorizam transações de forma segura.
Entretanto, essa autonomia traz responsabilidades: o proprietário deve proteger suas credenciais, armazenar corretamente a frase de recuperação e evitar práticas que possam comprometer o acesso aos ativos. “À medida que o mercado chega a novos públicos e regiões, a educação sobre segurança se torna ainda mais crucial”, reforçou Maximiliano.
Com informacoes de Money Times.

