Atriz brasileira é detida pelo ICE nos EUA após perda de status migratório e permanece presa há mais de um mês
Durante o processo de embarque para uma viagem familiar, Renata foi abordada por agentes do ICE disfarçados de civis logo após passar pela segurança e pelo raio‑X com o passaporte, sendo então presa no portão de embarque, conforme relatou sua mãe, Márcia Rilda Alves dos Reis.
Renata chegou aos Estados Unidos em 2016, aos 16 anos, concluiu o ensino médio no país e cursou Artes Cênicas na Utah Valley University; há pouco mais de três anos reside em Los Angeles, onde participou de produções como "The Cool Kids" e fundou uma empresa de limpeza que atualmente emprega mais de 20 pessoas, mantendo como grande objetivo a carreira de atriz de cinema.
Segundo a mãe, a jovem perdeu o status de residência permanente há cerca de dois anos após receber orientação jurídica equivocada, o que a deixou em situação irregular perante as autoridades migratórias.
Após a prisão no aeroporto, Renata foi primeiro conduzida a um centro de detenção em Los Angeles e, em seguida, transferida para o centro de Adelanto, na Califórnia, onde permaneceu por mais de 20 dias. No dia 18 de setembro, participou de uma audiência judicial; a defesa solicitou que fosse liberada para responder ao processo em liberdade, pedido que foi negado sob a alegação de que ela representaria risco.
A mãe enfatiza que a filha nunca cometeu crime algum, sendo mantida presa exclusivamente por estar sem status migratório regular, e descreve a situação como um desespero profundo.
No dia seguinte à audiência, 19 de setembro, Renata foi novamente transferida, desta vez para o centro de detenção de El Paso, Texas. O traslado ocorreu em uma van onde a jovem ficou algemada nos pés, cintura e mãos, sem acesso a banheiro ou água, e permaneceu sentada por horas até o voo. Chegando ao destino, ficou das 21h até as 17h do dia seguinte sentada, depois foi colocada em um quarto, mantendo as algemas o tempo todo, em um ambiente frio. Ela relatou que a bolsa de mão, contendo documentos, cartão de crédito, joias e um suéter, desapareceu e até o momento não foi localizada. Após o longo período sentada, Renata apresentou inchaço nas pernas e nos pés, além de dor de garganta.
A família tem buscado autorização para visitas, porém ainda não conseguiu agendar nenhum encontro com o centro de detenção.
Em paralelo, o caso gerou protestos ao lembrar outro incidente envolvendo um cidadão venezuelano baleado por agentes do ICE, cujo projétil foi removido apenas vários dias após o disparo, alimentando críticas ao órgão de imigração.
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Com informacoes de O GLOBO.

