Ator francês Arnaud Denis morre por eutanásia na Bélgica após complicações com prótese de hérnia

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 22/09/2026 22:20
Ator francês Arnaud Denis morre por eutanásia na Bélgica após complicações com prótese de hérnia

Foto: via Folha de S.Paulo

O ator francês Arnaud Denis, fundador de um coletivo de vítimas de próteses de hérnia, morreu por eutanásia na cidade belga de Namur nesta terça‑feira, 22, aos 43 anos.

Denis foi submetido a uma cirurgia de hérnia inguinal direita em 17 de julho de 2023, ocasião em que recebeu um implante de tela de polipropileno. O procedimento marcou o início de um agravamento progressivo de sua saúde.

Após a operação, o estado geral do ator se deteriorou, levando à remoção do implante nos Estados Unidos em abril de 2024, já que nenhum especialista na França possuía condições de realizar o procedimento.

Mesmo com a retirada da prótese, os problemas persistiram, obrigando Denis a abandonar a carreira de ator e deixando‑o em condição de incapacidade grave, segundo informações de seu advogado Philippe Courtois.

Courtois declarou que a decisão de eutanásia foi tomada em conjunto com três médicos de Namur, afirmando que o corpo de Denis já não o sustentava e que sua morte foi consequência das dores intensas que sofria há muitos meses.

Em sua última mensagem no Facebook, Denis descreveu a eutanásia como “uma libertação” após “três anos intermináveis” de sofrimento degradante, e rejeitou qualquer julgamento, a menos que alguém vivisse seis meses no corpo de um paciente com encefalomielite miálgica em estado grave para compreender “o horror absoluto”. Ele escreveu ainda: “Para mim, chega de maus‑tratos médicos”, denunciando a peregrinação em busca de atendimento, o “abandono” e a “negação médica” que alegou ter sofrido.

O advogado informou que já havia contestado, no fim de agosto, o arquivamento da denúncia que Denis apresentara em 5 de janeiro por lesões corporais culposas. Em manifestação publicada na sexta‑feira passada pelo grupo de mídia Ebra, o ator afirmou estar “revoltado e desiludido” com o arquivamento, alegando “caracterização insuficiente da infração” e afirmando que “estão pisoteando o pouco que resta de mim”. Courtois informou ainda que, em 18 de setembro, protocolou uma nova queixa, agora como parte civil, visando a abertura de investigação judicial.

No cenário legislativo, a França promulgou, após quatro anos de debates, uma lei que cria o direito à ajuda para morrer. No Brasil, a maioria da população se declara contra a morte assistida, embora a opinião sobre a interrupção de tratamento esteja dividida, segundo pesquisa Datafolha.

Opiniões diversas têm sido publicadas recentemente: colunas que defendem a eutanásia como garantia de um fim digno, outras que se opõem ao procedimento nas condições atuais do país, relatos de jovens que pediram a morte assistida após anos sem diagnóstico, e análises sobre como a medicina moderna afastou a morte do ambiente doméstico.

De acordo com a organização Dignitas, nove brasileiros recorreram à morte assistida na Suíça desde 1998. O médico Drauzio Varella sugeriu que o país se inspire nos avanços dos transplantes para avançar no direito à morte assistida.

Especialistas apontam que, embora a cronologia dos eventos e um raciocínio por eliminação permitam considerar possível uma relação entre os sintomas de Denis e a implantação do dispositivo médico, ainda não há nexo causal comprovado.

Com informacoes de Folha de S.Paulo.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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