Ator de Roque Santeiro morre em acidente de barco aos 67 anos
O multiartista Arnaud Rodrigues, lembrado pelos papéis inesquecíveis de Cego Jeremias em Roque Santeiro (1985) e do icônico Soró Sereno em Pão Pão, Beijo Beijo (1983), teve a vida interrompida em uma tarde de Carnaval que chocou o país.
Segundo informações do portal Terra, o ator foi vítima de um naufrágio no lago da Usina Hidrelétrica de Lajeado, no Tocantins, no dia 16 de fevereiro de 2010, aos 67 anos. Por volta das 17h30, uma severa tempestade com ventos fortes e chuva intensa surpreendeu o grupo que estava a bordo, fazendo a embarcação virar.
Moradores locais acionaram rapidamente o resgate, conseguindo salvar a esposa do ator, Celeste Rodrigues, e dois de seus netos. O corpo de Arnaud Rodrigues foi localizado pelo Corpo de Bombeiros algumas horas depois. O piloto da lancha, Francisco Ribeiro da Silva, também desapareceu na ocasião e teve o óbito confirmado posteriormente pelas autoridades.
Não é a primeira vez que lembramos de Arnaud Rodrigues; como já destacamos em nossa cobertura da novela Roque Santeiro, ele ficou eternizado como o Cego Jeremias, personagem que marcou a teledramaturgia brasileira.
Nascido em 6 de dezembro de 1942, em Serra Talhada, Pernambuco, Antônio Arnaud Rodrigues construiu uma carreira que ultrapassou as fronteiras tradicionais da atuação. Na Globo, sua parceria de longa data com Chico Anysio rendeu momentos de ouro para o humor nacional. Além do Cego Jeremias, ele deu vida ao ingênuo imigrante nordestino Soró Sereno, personagem que migrou para o cinema, integrando o clássico filme Os Trapalhões e o Mágico de Oróz (1984). Sua assinatura nas telas ainda incluiu produções marcantes como “Bandidos da Falange” (1983) e “Lampião e Maria Bonita” (1982).
Nos anos seguintes, Arnaud migrou para o SBT, onde passou mais de uma década brilhando no elenco de “A Praça É Nossa”, sob o comando de Carlos Alberto de Nóbrega. No icônico banco da praça, fez o Brasil rir com tipos inesquecíveis, como Chitãoró, sátira afiada às duplas sertanejas da época.
Na década de 70, o artista fundou, junto a Chico Anysio e Renato Piau, o grupo satírico Baiano & Os Novos Caetanos, lançando quatro álbuns aclamados que uniam ironia fina e ritmos nacionais. Individualmente, gravou “A Carta de Pero Vaz de Caminha” (1978), registro pioneiro das primeiras experimentações de rap e reggae no mercado fonográfico brasileiro.
Em 1999, encantado pela região Norte após apresentações em Palmas, Arnaud escolheu o Tocantins como novo lar. Longe dos grandes eixos de produção de TV do Sudeste, ele uniu sua paixão artística ao esporte, assumindo o papel de dirigente do Palas Futebol e Regatas.
No momento do acidente, o ator vivia uma fase de intensa efervescência criativa: desenhava planos concretos para retornar ao elenco de “A Praça É Nossa” e estruturava o piloto de um programa de variedades para a televisão local do Tocantins. O desfecho trágico interrompeu esses projetos, mas o vasto acervo de personagens e melodias deixados por Arnaud Rodrigues assegura que sua contribuição à cultura brasileira permaneça absolutamente inesquecível.
Com informacoes de TV Foco.

