Atleta tetraplégico após golpe proibido no jiu‑jitsu relata rotina de recuperação

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 12/10/2026 07:00
Atleta tetraplégico após golpe proibido no jiu‑jitsu relata rotina de recuperação

Foto: via G1

O lutador Willian "Kabuto" Hiroyuki concedeu entrevista exclusiva ao Fantástico sobre sua recuperação após sofrer um golpe ilegal em competição de jiu‑jitsu realizada em Londrina, no norte do Paraná.

O acidente ocorreu em 22 de agosto, durante uma disputa na categoria absoluto, que permite confrontos entre atletas de pesos diferentes, na luta contra Juliano Di Pelli Machado.

Segundo Kabuto, o adversário o suspendeu e, ao aplicar um movimento conhecido como “bate‑estaca”, proibido pelas regras do jiu‑jitsu, provocou uma queda que resultou em luxação entre as vértebras cervicais quinta e sexta, compressão do canal medular e lesão grave na medula.

A lesão causou perda de força nos movimentos, especialmente nas mãos e em todo o corpo a partir do pescoço, deixando o atleta tetraplégico.

Kabuto descreveu o momento: “Antes de eu poder deslizar por baixo, do nada, eu apaguei. Quando vi, eu estava com o meu corpo jogado no chão, sem poder mexer nada do corpo.”

Após semanas internado, o atleta retornou para casa, que precisou ser adaptada às novas necessidades, e passou a seguir rotina diária de fisioterapia e cuidados de profissionais de saúde.

“É um dia de cada vez. Mas não vou negar que tem dias que são difíceis”, afirmou Kabuto durante a entrevista.

O vídeo da luta rapidamente viralizou nas redes e chegou ao promotor Renato Castro, também praticante de jiu‑jitsu, que classificou o comportamento como criminoso e notificou a polícia.

O delegado Roberto Fernandes informou que a polícia já ouviu dez testemunhas; “À exceção de uma, todas falaram que o golpe praticado que gerou essa lesão foi um golpe proibido na luta de jiu‑jitsu”, acrescentou, e qualificou a conduta como “dolo eventual”.

A organização do torneio declarou que o evento seguia todas as normas da Confederação Brasileira de Jiu‑Jitsu (CBJJ) e que o árbitro agiu conforme o regulamento ao não interromper o confronto enquanto Kabuto ainda estava suspenso, de cabeça para baixo.

O organizador Cleber Takeuchi explicou: “Ele não pode antecipar. Isso é da regra do esporte. Não tinha o que ele fazer. O que ele tinha que fazer, o que aconteceu aquilo, ele fez. Foi chamar a equipe de primeiros socorros ali pra fazer já os primeiros atendimentos com o William. E desclassificar o atleta”.

Até o momento da reportagem, mais de um mês após a luta, a CBJJ ainda não havia emitido posicionamento oficial; a confederação, quando consultada, afirmou que realiza revisão contínua de suas regras para preservar a integridade física e a segurança dos atletas.

Kabuto lembrou que, mesmo mantendo a consciência, percebeu a reação do adversário: “Ele não falou nada, só olhou para mim e continuou olhando para o teto, sem nenhuma reação”.

O advogado Felipe de Melo, que representa Juliano Di Pelli Machado, declarou que o lutador procurou contato com o professor de Kabuto e, por cautela, aguardou o momento adequado, mas se colocou à disposição para auxiliar no que fosse necessário.

Juliano Di Pelli Machado se pronunciou nas redes sociais logo após o campeonato, dizendo: “Eu, no intuito de defender algo ali, botei o joelho pro chão e o cara tava embaixo de mim, eu não percebi. O cara muito magrinho, o cara acho que pesa uns 70 quilos. E pra evitar o desequilíbrio, eu joguei o joelho pro chão e o cara tava embaixo. E não deu tempo de fazer muita coisa”.

O histórico de Juliano inclui condenação em 2016 por danos morais após “dar um tapa no rosto e aplicar uma gravata” em uma mulher.

A casa da família de Kabuto estava em reforma e precisou ser adaptada para atender às novas necessidades de mobilidade do atleta; ali, cercado pelos parentes e pelos profissionais de saúde, ele inicia uma fase de recuperação sem previsão de término.

O médico responsável afirmou que ainda é muito cedo para definir prognóstico, mas que a esperança deve ser mantida: “Temos que ter esperança, porque ainda está muito cedo, muito precoce, e não podemos fechar nenhum prognóstico nesse momento”.

Kabuto concluiu: “A primeira coisa é poder realmente ter a minha vida de volta, né?”.

O podcast “Isso É Fantástico”, disponível no G1 e nos principais aplicativos de podcasts, traz a entrevista completa e outras reportagens investigativas do Fantástico.

Com informacoes de G1.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

Cobre o que o Brasil está buscando agora: famosos, esporte, tech, games e virais.