Arroba do boi gordo registra alta, mas sustentação é questionada
O mercado físico do boi gordo registrou negociações mais aquecidas no decorrer da semana, com os frigoríficos mais atuantes na compra de gado para tentar ampliar suas escalas de abate. Essa movimentação reflete uma mudança em relação às semanas anteriores, quando os preços da arroba do boi gordo iniciaram a semana em acomodação, como já mostramos em nossa cobertura recente.
Para o analista da consultoria Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, resta saber se a maior procura por gado conseguirá fazer com que a indústria trabalhe com um alongamento da programação. “Isso porque as exportações destinadas à China perderam força, dado o esgotamento precoce da cota de embarques de 1,1 milhão de toneladas destinada ao Brasil neste ano”, contextualiza. Essa perda de força nas exportações para a China é um ponto crítico, considerando que o país é um dos principais destinos da carne bovina brasileira.
O coordenador da equipe de inteligência de mercado da Scot Consultoria, Felipe Fabbri, destaca que a tendência é que os preços da arroba se elevem de forma mais significativa a partir de setembro, com a indústria nacional se preparando para atender a cota chinesa em 2027. “O atual momento de retomada parcial de preços dos últimos dias está mais associado a um movimento de oferta equilibrada e preparativos para atender à virada de quinzena no mercado doméstico na primeira quinzena de agosto”, destaca. Além disso, Fabbri ressalta que outros mercados têm participado mais ativamente de negociações com o Brasil para ampliar a compra de carne.
Os valores do boi gordo, na modalidade a prazo, estavam assim no dia 16 de julho: São Paulo (Capital) teve um valor de R$ 330, estável frente à última semana; Goiás (Goiânia) registrou R$ 320, com um avanço de 1,59% frente aos R$ 315 do final da semana anterior; Minas Gerais (Uberaba) manteve R$ 310, inalterado perante a semana anterior; Mato Grosso do Sul (Dourados) apresentou R$ 325, com um aumento de 1,56% frente aos R$ 320 registrados anteriormente; Mato Grosso (Cuiabá) teve R$ 320, sem mudanças frente ao valor praticado no fechamento da semana passada; e Rondônia (Vilhena) registrou R$ 310, com um declínio de 1,59% em relação aos R$ 315 anteriores.
O mercado atacadista se deparou com preços mistos durante a semana. Iglesias, de Safras & Mercado, ressalta que o ambiente de negócios aponta para uma menor sustentação das cotações no restante de julho à medida que o impacto da entrada dos salários na economia perde intensidade. “Ao mesmo tempo, a carne bovina vem reduzindo sua competitividade frente às proteínas concorrentes, que voltam a demonstrar sinais de fragilidade, com destaque para a carne de frango”, assinala. Os preços do quarto dianteiro e traseiro também variaram, com o quarto dianteiro registrando R$ 19,00 por quilo, uma queda de 5,00% frente aos R$ 20,00 praticados na semana passada, e o quarto traseiro apresentando R$ 26,00 por quilo, um avanço de 1,96% frente aos R$ 25,50 da semana anterior.
As exportações de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada do Brasil renderam US$ 668,099 milhões em julho até o momento (8 dias úteis), com média diária de US$ 83,512 milhões, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). A quantidade total exportada pelo país chegou a 104,664 mil toneladas, com média diária de 13,083 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 6.382,20. Em relação a julho de 2025, houve alta de 25% no valor médio diário da exportação, ganho de 8,7% na quantidade média diária exportada e avanço de 15% no preço médio.
Com informacoes de Canal Rural.

