Arrecadação federal atinge recorde de R$ 235,6 bilhões em agosto, maior em 32 anos

Por Rui Barbosa Oliveira em Rio Verde, GO 22/09/2026 11:55
Arrecadação federal atinge recorde de R$ 235,6 bilhões em agosto, maior em 32 anos

Foto: Bruno Domingos/ Reuters

A Receita Federal divulgou nesta terça‑feira (22) que a arrecadação federal somou R$ 235,6 bilhões no mês de agosto, valor que representa o maior registro para o mês em 32 anos, desde o início da série histórica em 1995.

Em termos reais, o resultado corresponde a um aumento de 8,25% quando comparado ao agosto do ano anterior, quando a arrecadação foi de R$ 217,6 bilhões, já ajustada pela inflação.

No acumulado de janeiro a agosto, a arrecadação totalizou R$ 2,13 trilhões após correção inflacionária, estabelecendo novo recorde para o período; sem a correção, o montante foi de R$ 2,11 trilhões.

Segundo análise da própria Receita, o crescimento está ligado à expansão da economia brasileira, aos aumentos de tributos anunciados nos últimos anos pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à elevação do preço do petróleo, reflexo da guerra entre Estados Unidos e Irã.

Entre as mudanças tributárias destacam‑se a elevação da tributação sobre fundos exclusivos de alta renda, a taxação de ativos offshore, alterações na tributação de incentivos concedidos pelos estados, o aumento de impostos sobre combustíveis implementado em 2023 e mantido desde então, a reoneração gradual da folha de pagamentos, o fim de benefícios para o setor de eventos (Perse), o aumento do IOF sobre operações de crédito e câmbio, e a elevação da tributação sobre juros sobre capital próprio.

O preço mais alto do petróleo também elevou as receitas provenientes de royalties e da participação nas extrações, além da criação de uma taxação adicional sobre exportações.

O governo federal pretende utilizar o incremento de receitas para alcançar a meta fiscal prevista para 2026, que estabelece um saldo positivo de 0,25% do Produto Interno Bruto – cerca de R$ 34,3 bilhões. O arcabouço fiscal permite tolerância de 0,25 ponto percentual em relação à meta central; assim, o objetivo será considerado cumprido se o saldo for zero ou até R$ 68,6 bilhões de superavit. O texto ainda autoriza a dedução de R$ 57,8 bilhões desse cálculo, recurso que pode ser destinado, por exemplo, ao pagamento de precatórios.

De acordo com Claudemir Malaquias, chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita Federal, o governo revisará para baixo a estimativa de arrecadação proveniente da taxação de contribuintes com renda anual superior a R$ 600 mil (incluindo lucros e dividendos). Enquanto a projeção inicial apontava um ingresso de R$ 29 bilhões em 2023, o valor foi reduzido para R$ 17 bilhões em meados de 2026 e, nesta terça‑feira, foi ajustado para R$ 10,5 bilhões, medida que visa compensar as perdas decorrentes da ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para até R$ 5 mil a partir de 2026 e da redução de tributo para quem ganha até R$ 7,3 mil mensais.

Com a revisão, o Executivo terá de buscar outras fontes de recursos, detalhe que será apresentado no relatório de orçamento a ser divulgado na quinta‑feira (24).

Se as projeções se confirmarem, as contas públicas deverão registrar um déficit de R$ 23,3 bilhões em 2026, ainda que, segundo a regra, o resultado oficial seja positivo; isso indica que o déficit poderá se manter ao longo de todo o terceiro mandato do presidente Lula.

Não é a primeira vez que as políticas econômicas do governo Lula são destacadas nas nossas matérias; anteriormente cobriram‑se, por exemplo, as declarações do presidente na 81ª Assembleia‑Geral da ONU, onde enfatizou o multilateralismo e criticou tarifas dos Estados Unidos.

Com informacoes de G1 Política.

Rui Barbosa Oliveira

Sobre o Autor: Rui Barbosa Oliveira

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