Arqueólogos turcos identificam naufrágio de 4.600 anos como o mais antigo já encontrado

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 14/10/2026 18:00
Arqueólogos turcos identificam naufrágio de 4.600 anos como o mais antigo já encontrado

Foto: via O GLOBO

Arqueólogos da Turquia descobriram, na costa de Kekova, artefatos que comprovam a existência do naufrágio mais antigo já registrado no mundo, segundo informações fornecidas à BBC.

A expedição foi coordenada pelo professor Hakan Öniz, da Universidade Akdeniz, e foi promovida pela Associação de Arqueologia do Mediterrâneo. Devido à ausência de vestígios do casco, a equipe não pôde aplicar a datação por radiocarbono e precisou recorrer à análise detalhada das ânforas encontradas no fundo do mar.

As ânforas apresentam duas alças, uma saliência central e base plana, características que coincidem com modelos já conhecidos no Egito e no Oriente Médio, cujas idades variam entre 4.400 e 4.700 anos. "Comparando as técnicas de decoração, podemos afirmar com certeza que o nosso naufrágio é da Idade do Bronze Inicial. Isso é 100% certo", declarou Öniz à BBC.

Com a descoberta em Kekova, o sítio ultrapassa o naufrágio próximo à ilha de Dokos, no sul da Grécia, datado de cerca de 4.200 anos, que até então detinha o recorde. O navio mais antigo com casco de madeira intacto foi encontrado no Mar Negro, na costa da Bulgária, e tem aproximadamente 2.400 anos de idade.

Após a retirada das peças, as ânforas foram submetidas a um delicado processo de conservação. O estado de preservação surpreendeu os especialistas, que agora investigam o resíduo encontrado no interior dos vasos. As hipóteses incluem azeite de oliva, vinho e resinas vegetais.

A arqueóloga Karin Sowada, da Universidade Macquarie, na Austrália, relatou: "Olhei para dentro e quase desmaiei. Não conseguia acreditar na quantidade de resíduo visível. Não eram apenas pequenas manchas. Grande parte desse material ainda estava lá". Sowada alertou que o resíduo pode não ser da carga original, pois as ânforas, de grande porte, eram reutilizadas por longos períodos.

De acordo com o ministro da Cultura da Turquia, Mehmet Nuri Ersoy, o navio naufragado pertence ao Ministério da Cultura e os artefatos serão exibidos no Museu Mediterrâneo de Arqueologia Subaquática, em Antália, cuja inauguração está prevista para os próximos meses.

Para Öniz, o maior valor da descoberta está na preservação da história humana: "Somos os primeiros seres humanos a tocar nesses objetos depois de 5 mil anos. Estamos sempre pensando nos marinheiros, nos fabricantes das ânforas, na pessoa que carregou uma ânfora nos ombros até o navio e nas mulheres que esperavam seus maridos, mas que infelizmente nunca voltaram".

A descoberta também auxilia na reconstrução das rotas comerciais da Antiguidade. Os pesquisadores acreditam que o navio partiu de um ponto da costa oriental do Mediterrâneo e seguia em direção à antiga cidade de Troia, no atual território turco, ou à ilha de Creta, onde florescia a civilização minoica.

A região de Kekova era notoriamente perigosa para a navegação, devido a ventos fortes e correntes marítimas intensas, e já foram registrados centenas de naufrágios ao longo de sua costa.

Com informacoes de O GLOBO.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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