Almoço remunerado proposto por Salabert pode elevar custo da mão de obra em até 33%
A proposta apresentada na quinta-feira (5) por Salabert prevê que o intervalo de almoço, de até duas horas diárias, seja contabilizado como tempo de trabalho remunerado, sem redução salarial.
Estimativas do Instituto Livre Mercado indicam que o impacto pode chegar a 33% no custo da mão de obra, enquanto a economista Zeina Latif, da Gibraltar Consulting, calcula um aumento de 12,5% ao considerar o pagamento de uma hora adicional por dia, equivalente a cinco horas semanais, com base em jornada de 40 horas.
Se a pausa remunerada for limitada a apenas uma hora, o Instituto estima que o efeito seja de 14%.
"Realmente preocupa. Ainda mais diante da redução da escala já aprovada", declarou Latif ao CNN Money.
O Instituto Livre Mercado criticou a proposta, afirmando que "a promessa de dar ao trabalhador algo sem que ninguém pague por isso é impossível. Numa jornada de oito horas, se uma delas passa a ser o almoço, a empresa paga o mesmo salário por sete horas de trabalho efetivo".
A medida surge após a promulgação da emenda constitucional que determina o fim da escala 6x1 e a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, também sem diminuição dos salários.
Segundo o Instituto, o próprio texto do projeto admite que a carga efetiva pode cair para 35 horas, representando um aumento de mais de 25% no custo da hora trabalhada, imposto por lei, sem produção adicional.
A implementação será feita em duas etapas: a partir de 16 de dezembro, a jornada máxima será reduzida para 42 horas semanais, com dois dias de descanso; após mais 12 meses, o limite cairá para 40 horas.
Estimativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que a redução da jornada, por si só, pode elevar em 11,1% o custo do trabalho formal na indústria, gerando um impacto estimado em R$ 88 bilhões para os empregadores.
O Instituto Livre Mercado ressaltou que a produtividade do trabalho no Brasil cresceu apenas 0,4% por hora trabalhada em 2025, e que "trabalhar menos ganhando o mesmo é desejável, mas só com mais produtividade, que nasce de investimento, tecnologia, qualificação e liberdade para experimentar novas formas de organizar o trabalho".
Em nota, o Instituto afirmou que propostas como esta colocam empregados contra empregadores, transferindo o ônus para quem gera emprego, e que o caminho para salários maiores e jornadas menores passa por menor custo para empregar, mais liberdade de negociação e mais espaço para empreendedores.
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Com informacoes de CNN Brasil.

