Ala de Moraes no STF aponta falhas processuais para tentar barrar investigação sobre caso Master
A ala de Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal pretende apontar falhas processuais na sessão marcada para terça-feira, 15 de setembro, com o objetivo de impedir a apuração da suposta relação entre o ministro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Como já noticiado em matérias anteriores do portal, o presidente do STF, Edson Fachin, assumiu a relatoria do caso em 12 de setembro.
A Procuradoria‑Geral da República (PGR) defende o arquivamento do relatório elaborado pelo ministro André Mendonça, alegando que sua produção foi irregular porque foi determinada pelo próprio ministro dentro das investigações do caso Master, sem comunicação prévia à Presidência, sem submissão ao plenário e com suposto direcionamento.
Segundo a argumentação da ala de Moraes, a eventual nulidade do relatório de Mendonça poderia impedir que os ministros discutam se as mensagens trocadas justificam a abertura de investigação ou se seria necessário analisar as respostas de Moraes a Vorcaro para que a apuração seja iniciada.
A Polícia Federal localizou 52 mensagens trocadas entre Vorcaro e Moraes no período de 21 de dezembro de 2023 a 17 de novembro de 2025, data em que o banqueiro foi preso pela primeira vez. O relatório da PF afirma que Moraes atuou diretamente na análise e edição de um contrato de R$ 130 milhões, assinado entre o Banco Master e o escritório de advocacia Barci de Moraes, de Viviane Barci, esposa do ministro.
De acordo com a PF, duas dias antes de ser preso, Vorcaro enviou mensagem a Moraes perguntando se deveria deixar o Brasil. A mesma fonte indica que Vorcaro solicitou ajuda ao ministro para conter ações da PF e do Ministério Público Federal contra o banco, e que os dois se encontraram oito vezes.
O prazo para manifestações sobre o relatório termina na segunda‑feira, 14 de setembro, e inclui declarações de Alexandre de Moraes, André Mendonça, o procurador‑geral da República, Paulo Gonet, e o diretor‑geral da PF, Andrei Rodrigues.
O acesso integral ao conteúdo extraído do celular de Vorcaro é outro ponto central. Os ministros Cristiano Zanin, Moraes e Gilmar Mendes defendem que a análise completa do material é fundamental para uma avaliação ampla do caso. A PGR reforçou que a integralidade dos dados é necessária "para a formação de juízo sobre o tema posto em debate".
Edson Fachin concedeu 24 horas à PF para prestar informações sobre o celular. O eventual acesso ao aparelho poderia adiar a sessão até que os gabinetes façam a varredura. André Mendonça afirma que a cópia repassada pela PF está lacrada em seu gabinete.
Fachin ainda não divulgou o rito da sessão de 15 de setembro. O caso é inédito no STF, e há dúvidas sobre se o próprio Moraes e a PGR se manifestarão. Há expectativa de que a sessão seja aberta, possivelmente com restrição de acesso ao público, e não se descarta a hipótese de algum ministro apresentar questão de ordem para que o julgamento seja fechado.
Até o momento, seis votos são considerados mais prováveis: os ministros Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin são apontados como alinhados com Moraes; André Mendonça contaria com o apoio de Luiz Fux e Kassio Nunes Marques. As posições de Edson Fachin e Cármen Lúcia permanecem incertas, com relatos de pressão de ambos os lados. O ministro Dias Toffoli teria indicado a colegas que tende a não participar, lembrando que deixou a relatoria do caso Master no início do ano após revelações de possível vínculo com Vorcaro.
Em cobertura anterior do portal, em 13 de setembro, foi relatado que Moraes acusou André Mendonça de seletividade na abertura de sigilos do caso Banco Master, e que Fachin assumiu a relatoria, encaminhando investigações do INSS e do Master à Presidência do STF.
Com informacoes de G1 Política.

