Eleições gerais na Suécia prometem disputa acirrada entre centro-esquerda e centro-direita, com foco em imigração e desigualdade
Após uma campanha dominada por uma população cada vez mais empobrecida e por um clima de segurança cada vez mais tenso, os eleitores suecos comparecerão às urnas neste domingo (13) para escolher o novo parlamento em eleições gerais que se apresentam como as mais acirradas dos últimos anos.
Durante vários meses as pesquisas apontavam uma ampla vantagem para o bloco de oposição do centro e da esquerda, encabeçado pelos social‑democratas de Magdalena Andersson. Nas semanas que antecederam a votação, porém, a coalizão de centro‑direita do primeiro‑ministro Ulf Kristersson conseguiu reduzir a diferença, levando analistas a afirmar que o resultado poderá ser decidido por uma margem muito estreita.
"Ainda há um pouco de suspense", declarou Jan Teorell, cientista político da Universidade de Estocolmo. As três pesquisas mais recentes mostram o bloco de esquerda e de centro com quase 50 % das intenções de voto, contra 47 % para as quatro legendas de direita.
O bloco de direita prometeu manter a política de combate à criminalidade ao mesmo tempo em que endurece as medidas na área de imigração. Contudo, o lema que havia levado o governo ao poder em 2022 encontra hoje dificuldades para gerar o mesmo entusiasmo, segundo Teorell. "Kristersson chegou ao poder com um programa focado, em particular, no combate à criminalidade e na redução dos preços da energia. A criminalidade e os preços da gasolina diminuíram e, portanto, estes temas já não estão entre as principais preocupações dos eleitores", explicou o cientista político.
Em um país onde as desigualdades continuam a crescer e o poder de compra da população diminuiu, a esquerda anunciou a intenção de aumentar os impostos sobre os bancos e sobre as rendas mais elevadas para investir em saúde e educação, além de propor apoio financeiro direto às famílias. "Acho que a Suécia mudou e que está muito mais dividida. É necessário melhorar o sistema de saúde e a proteção social", afirmou à agência AFP Hanna Justine Hallbom, de 46 anos, que trabalha na indústria da moda.
Para a líder dos social‑democratas, o desafio é definir "que tipo de país a Suécia deveria ser". A escolha está entre "uma Suécia onde as pessoas têm trabalho e onde podemos melhorar nosso modelo de proteção social" e "um país completamente diferente, com um governo dominado pelos Democratas da Suécia, um partido de extrema‑direita fundado por neonazistas", declarou Magdalena Andersson à AFP durante um comício. Em 2022, os Democratas da Suécia superaram o partido de Kristersson e se tornaram a segunda força política do país, obtendo quase 20 % dos votos.
Se o bloco de direita vencer novamente, os Democratas da Suécia, tradicionalmente anti‑imigração, esperam entrar no governo pela primeira vez na história e não apenas apoiá‑lo como fizeram nos últimos quatro anos. O partido agora exige ministérios, e o primeiro‑ministro em fim de mandato prometeu, entre outros, a pasta da Imigração. Ulf Kristersson, que sobreviveu a uma série de escândalos durante seu mandato, reagiu de maneira enérgica ao afirmar ao jornal Aftonbladet: "Estamos em plena guerra na Europa. Não podemos ter no Parlamento pessoas que divulgam discursos pró‑Rússia".
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Com informacoes de G1.

