Agronegócio Brasileiro Redireciona Exportações após Tarifaço dos EUA

Por Sebastião Gomes da Silva em Rio Verde, GO 18/07/2026 07:05
Agronegócio Brasileiro Redireciona Exportações após Tarifaço dos EUA

Foto: Sergio Lima/AFP

O produtor Rodrigo Pamponet, que cultiva uvas no Vale do São Francisco, já colocou o mercado norte-americano em segundo plano. A fazenda passou a concentrar as vendas em outros mercados, como Europa e Argentina, diante da perda de competitividade provocada pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos vindos do Brasil.

Na prática, produtores como Rodrigo Pamponet já haviam iniciado esse redirecionamento. Inclusive, o produtor relatou que atualmente, cerca de 70% da produção exportada pela fazenda segue para a União Europeia e 28% para a Argentina. O mercado argentino ganhou espaço entre os produtores devido à proximidade geográfica e ao menor custo de transporte.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) destaca que a medida coloca sob pressão US$ 4,6 bilhões em exportações do agronegócio brasileiro. Cerca de 36,5% das exportações do agronegócio brasileiro para os EUA ficarão sujeitas à tarifa adicional de 25%, enquanto 63,5% foram preservadas com a ampliação da lista de exceções.

Entre as frutas, a uva é a cadeia mais relevante entre as que ficaram fora da lista de isenções dos EUA, segundo análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). As exportações brasileiras de uva para os EUA já vinham perdendo espaço após a rodada anterior de tarifas, enquanto a Europa seguia como principal destino da fruta brasileira.

Outros setores também sentem os efeitos da tarifa adicional. A lista de produtos atingidos inclui arroz, madeira e açúcar. A Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz) informou que participou de audiências públicas em Washington para defender que o arroz brasileiro tem papel complementar no abastecimento dos EUA.

O presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Petrolina (SPR), Jailson Lira, afirma que a abertura de novos mercados reduziu parte do impacto, mas não eliminou a preocupação do setor. Uma das principais preocupações envolve emprego e renda na região. A cadeia da uva gera cerca de 70 mil empregos diretos e indiretos no Vale do São Francisco.

Para apoiar as empresas afetadas pelo tarifaço dos EUA, o governo federal anunciou a retomada de medidas voltadas aos setores prejudicados pelas novas barreiras comerciais. A ApexBrasil prepara um plano de contingência para agosto, com investimento de R$ 130 milhões em ações de diversificação comercial.

Com informacoes de G1 Agronegócios.

Sebastião Gomes da Silva

Sobre o Autor: Sebastião Gomes da Silva

Tião é o agro do MOTNAF.NEWS de bota e chapéu. Cotação de soja, milho, boi e café, clima para a safra, tecnologia no campo, exportação e as decisões que mexem com quem produz o alimento do Brasil. Direto, sem enrolação e com o pé no barro, do pequeno produtor ao agronegócio que move o país.