Agricultores dos EUA Adaptam Rotinas para Enfrentar Calor Extremo
Os produtores de frutas e hortaliças nos Estados Unidos estão mudando suas rotinas e protegendo mudas para enfrentar ondas de calor extremo. As mudanças climáticas encurtam as janelas de plantio, tornando necessário ajustes nos horários de colheita e no manejo das culturas. A agricultora Annie Woods colhe vegetais em horários alternativos e usa tendas para gerar sombra, além de armazenar mudas em locais refrigerados para garantir a produção de outono.
O produtor Paul Rasch antecipou o horário de colheita de framboesas para proteger seus funcionários do calor. Ele afirma que as condições climáticas extremas estão mais frequentes, representando uma ameaça às lavouras ao longo de todo o ano. Isso não é diferente do que vemos em outras partes do mundo, onde eventos climáticos extremos, como o El Niño, afetam a produção agrícola e os preços dos alimentos.
Pequenos produtores sofrem com burocracias para obter seguros agrícolas federais, criados para grandes commodities. O modelo de agricultura apoiada por comunidade ajuda a mitigar prejuízos de Woods. Ela trabalha nos períodos mais frescos do dia, pela manhã e no fim da tarde, fazendo pausas frequentes para se hidratar. Quando precisa colher durante o calor intenso, monta no campo uma tenda para criar áreas de sombra.
O calor extremo, combinado com períodos de chuva e alta umidade, também favorece o surgimento de doenças e pragas que podem destruir as lavouras. No momento, a prioridade é colher as culturas mais vulneráveis, como folhas para salada. Woods produz hortaliças e ervas culinárias para restaurantes da região e para um programa de agricultura apoiada pela comunidade.
Para alguns produtores, a recente onda de calor também reduziu a janela de colheita de determinadas culturas. É o caso de Paul Rasch, proprietário de vários pomares no centro do estado de Iowa. Segundo ele, o calor obrigou sua equipe a acelerar a colheita das framboesas. Normalmente, eles teriam cerca de três semanas para colher essa fruta altamente perecível, mas, agora, estão correndo para colher o máximo possível.
A diversidade de culturas reduz perdas. Pequenas propriedades, como as de Woods e Rasch, costumam cultivar uma grande variedade de produtos ao longo do ano. Essa estratégia é, em parte, uma decisão comercial, mas também serve para reduzir os prejuízos quando uma determinada cultura é afetada e outras não. O seguro agrícola para produtores de frutas, hortaliças e outras culturas especiais funciona de forma diferente daquele destinado aos produtores de commodities, como milho e soja.
Woods, que também atua na Associação Orgânica de Kentucky, concorda que os pequenos produtores são mais vulneráveis aos eventos climáticos extremos, mas contam com menos proteção. Ela afirma conhecer diversos produtores que têm dificuldade para contratar seguro porque cultivam muitas culturas diferentes em pequenas áreas. Isso ocorre porque os programas federais de seguro agrícola dos Estados Unidos foram desenvolvidos para proteger lavouras únicas com apenas uma safra por ano.
Para Woods, o programa de agricultura apoiada pela comunidade oferece maior flexibilidade caso alguma cultura seja perdida. Os consumidores apoiam financeiramente a fazenda durante toda a temporada, independentemente de quais hortaliças acabarão recebendo em suas cestas. Segundo ela, esse modelo, aliado à diversidade de culturas, é uma forma de não colocar todos os ovos na mesma cesta diante de ondas de calor, enchentes e secas.
Com informacoes de G1 Agronegócios.

