Advogados do ex-secretário do Maranhão solicitam nova suspeição de Flávio Dino no STF

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 18/08/2026 06:20
Advogados do ex-secretário do Maranhão solicitam nova suspeição de Flávio Dino no STF

Foto: via CNN Brasil

Os advogados que representam o ex-secretário do Maranhão, Raimundo Cutrim, apresentaram um novo pedido de suspeição contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, argumentando que o magistrado tem interesse direto nos procedimentos que envolvem seu cliente.

O pedido inicial de suspeição foi indeferido pelo ministro Alexandre de Moraes, que conduzia o plantão do STF na segunda quinzena de julho; em seguida, a defesa interpôs recurso, solicitando que a questão fosse analisada pelo ministro Edson Fachin.

Em paralelo, um advogado da vice-governadoria de Flávio Dino compareceu ao STF para tratar de uma denúncia de estupro, demonstrando a multiplicidade de processos que circulam em torno da figura do governador.

Flávio Dino, ao assumir a presidência do Tribunal de Contas do Maranhão, afirmou que há um "ecossistema criminoso" dedicado ao desvio de recursos públicos no estado, e, na segunda‑feira, 17 de julho, determinou o afastamento do presidente do órgão, Daniel Itapary Brandão, por 180 dias, alegando risco de obstrução das investigações.

A defesa de Cutrim pretende apresentar um novo pedido de suspeição contra Dino, levando em conta a operação que resultou na prisão de Cutrim e que o identificou como fonte de um jornalista maranhense. Cutrim está sendo investigado em um inquérito conduzido por Alexandre de Moraes por suposta perseguição ao ministro.

Na última semana, o ministro Moraes autorizou busca e apreensão contra o ex-secretário, reforçando a acusação de que Cutrim teria tentado coagir e subornar testemunhas, bem como instaurado procedimentos investigatórios questionáveis.

Segundo a Polícia Federal, a intenção de Cutrim seria atrapalhar as investigações sobre o assassinato de um empresário que negociava a cobrança de propina em contratos públicos no Maranhão.

Gilbson César Soares Cutrim Júnior foi condenado pelo homicídio de João Bosco Sobrinho em 2022; a PF suspeita que o ex-secretário Raimundo Cutrim tenha atuado para garantir o silêncio quanto à suposta participação de agentes públicos e de membros da família do governador Carlos Brandão (MDB).

Os investigadores apontam Raimundo Cutrim como interlocutor da família do governador, sugerindo que ele teria pressionado familiares de Gilbson para alterar depoimentos prestados à polícia, a fim de proteger integrantes da família Brandão e outros agentes públicos.

A família de Gilbson teria recebido cerca de R$ 160 mil em dinheiro vivo de pessoas ligadas aos investigados, além de uma promessa de recebimento de milhões de reais em imóveis, conforme apuração da PF.

O conselheiro Daniel Itapary Brandão, do Tribunal de Contas do Maranhão e sobrinho do governador, foi citado como participante de reunião que culminou no assassinato do empresário João Bosco Sobrinho.

Ao determinar o afastamento de Daniel Brandão por 180 dias, o ministro Dino justificou que a permanência do conselheiro à frente do tribunal poderia prejudicar o andamento das investigações. O presidente afastado declarou ter recebido a notícia com "profunda perplexidade", reafirmou sua "absoluta inocência" e manifestou confiança de que a verdade será esclarecida.

Dino descreveu o cenário como um "ecossistema criminoso" destinado ao desvio de recursos públicos, ressaltando que um órgão independente de controle externo não pode ser liderado por alguém que se encontra no epicentro de investigações sobre homicídio, mau uso de recursos, cobrança de propinas e pagamentos fraudulentos. Segundo o ministro, a rede investigada envolveria empresas vinculadas à família Brandão, órgãos estaduais, gestores e autoridades, além de indícios de tentativa de obstrução das investigações e de infiltração na Polícia Federal.

A defesa do governador Carlos Brandão contestou as imputações, alegando inconsistência nas acusações e expressando "especial preocupação" com a realização de investigações sigilosas contra o governador fora do foro constitucionalmente competente. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem competência para processar governadores em crimes comuns, e os advogados de Brandão sustentam que o caso deveria tramitar naquele tribunal, não no STF.

O processo, inicialmente analisado pelo STJ em razão da participação de Daniel Brandão, foi remetido ao STF após menção do senador Weverton Rocha (PDT‑MA), que estaria atuando junto ao ministro Humberto Martins, do STJ, para dificultar as investigações sobre a suposta organização criminosa.

A defesa do governador ainda argumenta que a Procuradoria‑Geral da República (PGR) não referendou as investigações e aponta a incompetência do STF, bem como a ausência de atribuição da Corte para processar comunicação de crime.

Outras notícias em destaque no momento incluem: Hayden Panettiere – ligação para emergência pode revelar causa da morte; ciclone extratropical que atingirá o Brasil gera alerta das autoridades; Discord anuncia suspensão de lives no país após determinação da ANPD; Tribunal Superior Eleitoral reverte decisões contra Lula e expõe isolamento.

Com informacoes de CNN Brasil.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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