"A Substância" volta à TV com cenas de choque e incômodo, e o filme de Coralie Fargeat reacende o debate sobre culto à juventude
O filme "A Substância", de 2024, vai ao ar às 22h40min desta segunda-feira (26), na Tela Quente, da RBS TV. A produção é dirigida por Coralie Fargeat e tem Demi Moore e Margaret Qualley no elenco principal.
Quando foi lançado nos cinemas, o longa se tornou um fenômeno de engajamento. Virou tema de debates acalorados, gerou memes e dividiu o público entre os que o amaram e os que o rejeitaram. Do ponto de vista comercial, o título também teve bom desempenho: custou US$ 17,5 milhões e arrecadou US$ 77,3 milhões de bilheteria.
O filme também marcou presença em todas as grandes premiações. No Oscar, venceu na categoria de maquiagem e cabelos e concorreu às estatuetas de melhor filme, direção, atriz (Demi Moore) e roteiro original, este último assinado por Coralie Fargeat, que já havia sido premiada pelo roteiro no Festival de Cannes.
A experiência de assistir a "A Substância" em casa não deve ser a mesma que em uma sala de cinema, onde a tela grande e o som alto intensificam o desconforto, o choque e até o nojo que a obra pode provocar. A diretora explora ao máximo o chamado body horror, ou horror corporal, em que o corpo costuma ser o campo de batalha.
Fargeat, hoje com 49 anos, se alinha ao movimento conhecido no exterior como New French Extremity, ou cinema extremo francês. O termo foi cunhado em 2004 pelo crítico canadense James Quandt, de forma crítica e reducionista, para classificar filmes que apostam em violência explícita, incluindo a sexual, e em tortura psicológica como forma de tecer críticas sociais. Nesses filmes, as mulheres costumam estar na frente e atrás das câmeras, e raramente aparecem entidades sobrenaturais: os personagens são pessoas comuns, acuadas por demônios interiores ou por "monstros" humanos.
Entre os títulos mais conhecidos do movimento estão Desejo e Obsessão (2001), de Claire Denis, Irreversível (2002), de Gaspar Noé, Alta Tensão (2003), de Alexandre Aja, Mártires (2008), de Pascal Laugier, e Raw (2016) e Titane (2021), ambos de Julia Ducournau.
"A Substância" também retoma ideias e conceitos de trabalhos anteriores da diretora, como o curta-metragem Reality+ (2014) e o longa de estreia, Vingança (2017). Do curta, Fargeat traz a crítica ao culto à juventude e à obsessão pela beleza: no filme, um dispositivo tecnológico permite que as pessoas se vejam com o rosto e o físico de seus sonhos, mas apenas a cada 12 horas, e na outra metade do dia precisam voltar a encarar o espelho com as próprias feições.
Com informacoes de GZH.

