A Assinatura Sísmica do Gelo Lunar

Por Cosmo Ricardo Nunes em Rio Verde, GO 03/08/2026 08:30
A Assinatura Sísmica do Gelo Lunar

Foto: otNqtCH/AFp

Um estudo publicado recentemente na revista Science Advances apresenta uma abordagem inovadora para detectar depósitos de gelo no polo sul da Lua, utilizando a combinação de microtomografia de síncrotron, modelagem térmica e simulações tridimensionais de ondas. Essa técnica permite a identificação de zonas de sombra sísmica criadas pelo gelo lunar, o que pode ser detectado por sismômetros.

Os pesquisadores Harrison P. Lisabeth, do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, Nicholas Schmerr, da Universidade de Maryland, e Matthew Siegler, da Universidade do Havaí, simularam um cenário em que um tremor de magnitude minúscula sacode o solo lunar, criando ondas que se espalham e interagem com o gelo enterrado. A simulação mostrou que, ao encontrar o gelo, as ondas sísmicas são refletidas de volta, criando uma assinatura sísmica característica.

Essa descoberta é importante porque a água congelada no polo sul da Lua é considerada um recurso valioso para a exploração espacial. A água pode ser utilizada como propelente para retornar à órbita, oxigênio para respirar, água para beber e blindagem contra radiação. O programa Artemis e os planos chineses de base lunar estão focados nessa região, onde o Sol nunca sobe muito acima do horizonte e o fundo de certas crateras permanece congelado.

A detecção de gelo lunar é um desafio porque as evidências acumuladas desde 2008 são indiretas. Análises de vidros vulcânicos trazidos pelas missões Apollo revelaram água aprisionada no interior lunar. Em 2009, o impacto controlado da sonda LCROSS contra o piso da cratera Cabeus levantou uma pluma de detritos com gelo em quantidade mensurável. O mapeamento de hidrogênio pelas regiões polares mostrou concentrações compatíveis com depósitos de gelo.

A técnica desenvolvida pelos pesquisadores é baseada na geofísica terrestre, que utiliza sísmica para localizar reservatórios de hidrocarbonetos, mapear aquíferos e monitorar permafrost em degelo. No entanto, a aplicação dessa técnica na Lua é mais complexa devido à natureza peculiar do regolito lunar, que se comporta de forma acústica diferente de materiais comuns na Terra.

A explicação aceita para essa peculiaridade envolve adesão eletrostática notável entre partículas no ambiente seco da Lua. As medições feitas em amostras trazidas pela Apollo revelaram atenuação sísmica anomalamente baixa, com valores iguais ou superiores a 3.100 na rocha lunar 70215. Essa característica é fundamental para entender como as ondas sísmicas interagem com o gelo lunar.

Com informacoes de Space Today.

Cosmo Ricardo Nunes

Sobre o Autor: Cosmo Ricardo Nunes

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