Violência contra professores avança no Brasil: casos de agressão física e psicológica se multiplicam
A violência contra professores no Brasil atingiu níveis críticos, com 47% dos docentes declarando sofrer estresse decorrente de intimidações e abusos verbais, segundo pesquisa da OCDE, muito acima da média de 18% dos 55 países avaliados.
Em 8 de julho, a pedagoga Gabriele Melko, 50 anos, vivenciou uma agressão física no colégio estadual Eunice Borges da Rocha, em Curitiba, quando uma aluna de 17 anos, contrária à proibição de permanência após a festa vespertina, xingou a professora e desferiu socos, deixando seu rosto com cortes e inchaço. Gabriele buscou atendimento hospitalar e registrou boletim de ocorrência; a mãe da estudante só compareceu à escola por determinação do Conselho Tutelar. A aluna foi inicialmente suspensa e depois transferida, mas a professora relata medo constante nos corredores e receio de abordagens de familiares da agressora.
O caso de Gabriele não é isolado. Uma pesquisa da OCDE de uma década atrás mostrava que apenas 12% dos docentes brasileiros se declaravam na mira de agressões; o aumento para 47% de estresse indica um agravamento significativo.
Dados do Centro do Professorado Paulista (CPP) apontam que 65% dos professores entrevistados já foram vítimas de violência psicológica ou física no ambiente escolar, reforçando a percepção de um crescimento alarmante.
Maria Inês Fini, pedagoga da Academia Paulista de Educação, alerta que o aumento dos casos representa um obstáculo ao ensino de qualidade.
Especialistas relacionam parte desse fenômeno à mudança no estilo parental: pais mais flexíveis, embora bem-intencionados, muitas vezes deixam de estabelecer limites claros, dificultando que os jovens aceitem a autoridade do professor.
Fátima Silva, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, destaca que estudantes frequentemente vão à escola para confrontar docentes, invertendo valores tradicionais.
Segundo a OCDE, metade dos professores brasileiros afirma lecionar em meio à indisciplina, o dobro da média mundial.
Outro episódio ocorreu com a professora de geografia Geisa Chaves, 52 anos, que recebeu ameaças de um pai inconformado com a nota da filha em uma escola privada da Zona Oeste do Rio de Janeiro, incluindo mensagens e ligações dizendo que “ia dar na cara dela”. Após diálogo, a situação foi contida.
Na mesma linha, a professora de língua portuguesa Jane Queiroz, 56 anos, relata que alunos de sua escola particular ameaçaram a coordenadora nas redes sociais, dizendo que “iria enfiar uma caneta no pescoço dela” e que ela só tinha emprego porque eles “deixavam”.
Essas agressões têm reflexos na saúde mental dos educadores: ansiedade, depressão e burnout são diagnósticos cada vez mais frequentes, afetando também aqueles que não foram vítimas diretas, mas vivem em estado de vigilância constante.
Com informacoes de VEJA.

