Viagens viram competição nas redes: brasileiros lideram rankings globais
Inspirado no clássico de Júlio Verne, "A Volta ao Mundo em 80 Dias", o desafio de circunavegar o planeta ganhou nova roupagem na era digital: transformar carimbos de passaporte em troféus virtuais, exibidos em Instagram, TikTok e Facebook com as hashtags #passportstamps e #aroundtheworld.
Plataformas especializadas fomentam a competição. O NomadMania concede o status de “master” a quem comprova, mediante documentos de viagem, fotos, passagens e reservas de hotel, a presença em 100% das nações reconhecidas pela ONU. Em 2025, 82 pessoas de diferentes nacionalidades atingiram esse marco, quase o dobro do número registrado no ano anterior.
A concorrente Most Traveled People, que já reúne 50 000 cadastrados, classifica seus usuários em categorias como Hall da Fama e Indiana Jones, de acordo com a quantidade de milhas acumuladas. Os participantes ainda ganham pontos extras ao visitar pontos turísticos específicos, fazer refeições em restaurantes estrelados e se hospedar em hotéis de renome.
Entre os viajantes que abraçaram a gincana, o empresário Newton Losi, 58 anos, iniciou sua jornada aos 32 e já colecionava 61 países antes de decidir alcançar os 100 e, finalmente, os 193. Em 2024, Losi tornou‑se o primeiro brasileiro a registrar uma volta completa ao mundo no ranking do NomadMania.
O pernambucano Anderson Dias, 32, estabeleceu recorde de 543 dias para completar o circuito, feito que chegou a constar no Guinness World Records. Ex‑camelô de Caruaru, ele vendeu um carro para financiar a viagem, que incluiu pernoites nas ruas de Barcelona, entrada a pé em zona militarizada no Afeganistão e ameaça de prisão na Líbia. Hoje, conta com 1,3 milhão de seguidores e o título de influencer de viagens.
O debate sobre a competitividade desses sites polariza opiniões. De um lado, entusiastas celebram a gincana; do outro, críticos argumentam que o turismo perde seu aspecto relaxante e de abertura mental. O professor de turismo Osíris Marques, da Universidade Federal Fluminense, alerta que “a quantidade não pode se sobrepor à experiência de permanecer, conhecer e estabelecer uma relação mais profunda com o destino visitado”.
Para a empresária Priscila Periañez, 49, que figura entre as quatro mulheres brasileiras mais viajadas no NomadMania com 149 países, a aventura tem riscos reais: foi detida por rebeldes armados no Congo e seguiu sozinha para a Papua Nova Guiné após seu grupo se dividir por questões de segurança. “Me sentiria traidora se marcasse um país sem tê-lo explorado”, afirma.
Com a inteligência artificial (IA) a tod
Com informacoes de VEJA.

