Vanderson: Justiça Analisa Uso de Milhões Recebidos pelo Rio Branco
A venda do lateral Vanderson, revelado pelo Rio Branco (SP) e com passagem por Grêmio e Seleção Brasileira, representou uma das maiores receitas da história recente do clube de Americana. Os milhões que entraram nos cofres do Tigre, porém, hoje fazem parte de um dos principais pontos de questionamento da recuperação judicial. Documentos obtidos pela Gazeta Esportiva mostram que a Justiça determinou uma apuração específica para verificar como o Rio Branco utilizou os valores recebidos pela negociação internacional do jogador.
A análise foi realizada pela administradora judicial, que conseguiu identificar boa parte da movimentação financeira, mas concluiu que ainda existem diferenças milionárias entre a contabilidade do clube e a documentação apresentada. Segundo a administradora judicial, o Rio Branco recebeu R$ 7.312.067,49 entre outubro de 2023 e março de 2025 referentes à terceira e à quarta parcelas da negociação de Vanderson. Segundo o clube informou à administradora judicial, a primeira e segunda parcelas foram recebidas em 2022 e retidas na Justiça do Trabalho e na Justiça Comum, respectivamente.
O clube também informou existir um bônus pendente de 85,5 mil euros, condicionado ao cumprimento de metas pelo atleta, valor que está em discussão no CNRD (Câmara Nacional de Resolução de Disputas) da CBF. Revelado pelo Rio Branco, Vanderson foi vendido pelo Grêmio ao Monaco, da França, em 2022, por cerca de 11 milhões de euros. Na época, o Rio Branco ainda era dono de 30% dos direitos do jogador, mas como Vanderson foi revelado na categoria sub-17 do Rio Branco em uma época na qual esta era administrada pelo ex-jogador Sandro Hiroshi, 70% dos valores aos quais o clube tinha direito eram da empresa de Sandro e os outros 30%, do clube.
A análise feita pela administradora judicial mostra que parte dos recursos teve destinação identificada. O principal pagamento foi um repasse de R$ 4.019.999,00 à SH Sports Ltda., a empresa de Sandro Hiroshi. Além disso, foram identificadas despesas com honorários advocatícios, manutenção, folha salarial, impostos, prestadores de serviços e outras obrigações do clube. Ao todo, a administradora conseguiu comprovar documentalmente a aplicação de R$ 7.068.741,96.
Ao contrário, a administradora judicial informou que a documentação não foi suficiente para explicar toda a movimentação financeira. Segundo o relatório, enquanto o clube registrou R$ 12.775.990,26 em despesas na contabilidade, apenas R$ 7.068.741,96 puderam ser comprovados por meio da documentação apresentada. A diferença é de R$ 5.707.248,30.
A administradora judicial registrou que grande parte das despesas do Rio Branco é processada por meio da Manager Serviços Administrativos Ltda. A Gazeta Esportiva apurou, com base nos extratos bancários anexados ao processo, que recursos recebidos pelo clube, incluindo valores provenientes da negociação de Vanderson, transitaram por contas da empresa. A empresa Manager Serviços Administrativos Ltda, de pequeno porte, foi fundada em 24 de janeiro de 2023. Tem capital social de R$ 10 mil, sede em Americana, e conta como sócio-administrador Claudio Luiz Bonaldo, presidente do clube.
A Gazeta Esportiva procurou o Rio Branco para esclarecer a destinação dos recursos recebidos pela negociação de Vanderson e os apontamentos feitos pela administradora judicial. Até a publicação desta reportagem, o clube não havia se manifestado.
Com informacoes de Gazeta Esportiva.

