Ulrich Siegmund pode se tornar o primeiro governador de extrema‑direita da Alemanha desde 1949

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 06/09/2026 15:00
Ulrich Siegmund pode se tornar o primeiro governador de extrema‑direita da Alemanha desde 1949

Foto: via G1

A Saxônia‑Anhalt, estado com pouco menos de 2 milhões de habitantes, apresenta a menor força econômica e a menor expectativa de vida entre os 16 estados federados da Alemanha.

Na eleição estadual prevista para o próximo domingo, 06/09, os olhares do mundo se voltam para a capital, Magdeburgo, pois o resultado pode transformar o deputado estadual Ulrich Siegmund no primeiro governador da Alternativa para a Alemanha (AfD) e, consequentemente, no primeiro político de um diretório classificado como extremista de direita a assumir tal cargo desde a criação da República Federal em 1949.

Pesquisas de opinião apontam Siegmund e a AfD claramente à frente, com intenções de voto entre 40 % e 43 %. A dúvida nas vésperas do pleito é se a AfD conquistará a maioria absoluta das cadeiras no parlamento da Saxônia‑Anhalt, permitindo-lhe governar sozinha, ou se uma aliança dos demais partidos — que descartaram a possibilidade de governar com a AfD — impedirá sua ascensão.

A campanha de Siegmund tem atraído multidões, inclusive em pequenas cidades, e costuma ser acompanhada por uma enxurrada de jornalistas internacionais: emissoras canadenses, dinamarquesas e suíças, a BBC, a revista britânica The Economist e dezenas de repórteres de toda a Alemanha.

Ulrich Siegmund nasceu em 1990 na pequena cidade de Havelberg, na própria Saxônia‑Anhalt. Aos 19 anos filiou‑se à União Democrata Cristã (CDU), partido de centro‑direita, mas deixou a legenda cinco anos depois para ingressar na AfD. Antes da política, trabalhou como vendedor de perfumes. Ele projeta uma imagem dinâmica e atlética — magro, bonito e de aparência jovem — e se apresenta como um líder carismático e alegre em suas aparições públicas.

Com o slogan de campanha “Tudo é possível”, Siegmund busca mais que dobrar os 20,8 % dos votos que a AfD recebeu no estado em 2021. Em agosto, a revista semanal Der Spiegel estampou em sua capa uma foto de Siegmund com o título “O homem mais perigoso da Alemanha”. O político da AfD respondeu ironicamente autografando exemplares da revista em comícios.

A DW acompanhou a campanha pelo interior da Saxônia‑Anhalt e registrou que, ao chegar às praças diante de multidões entusiasmadas, Siegmund retribui os aplausos com sorrisos, apertos de mão e piadas, sem parecer forçado. “Não sei quando houve pela última vez um índice de aprovação tão alto, inclusive entre os jovens”, afirmou ao canal, acrescentando que a aprovação era “simplesmente enorme”.

David Begrich, da organização Miteinander, de Magdeburgo, que atua no combate ao extremismo de direita, observa que “os eventos de campanha da AfD funcionam de forma impecável, tanto em termos logísticos quanto de estratégia política” e descreve o marketing do partido como “sofisticado”.

Segundo os discursos de Siegmund, a AfD pretende um retorno a uma era passada, quando a Alemanha não se via como país de imigração, a energia vinha de usinas nucleares em vez de turbinas eólicas e os direitos da população LGBTQ+ não eram considerados. O candidato afirma querer uma política “do povo, para o povo”, embora essa proposta não inclua todas as pessoas que vivem no estado.

O “plano de ação imediata dos primeiros cem dias” da AfD traz, entre outras medidas, a promessa central de “deportar desde o primeiro minuto” cidadãos estrangeiros que não tenham direito legal de permanecer no país, mesmo que sua permanência seja tolerada por razões humanitárias. O plano também prevê cortes de financiamento para ONGs pró‑democracia, a obrigatoriedade de trabalho para refugiados e a priorização do amor à pátria alemã em detrimento da diversidade social.

Na Saxônia‑Anhalt, a AfD ainda quer permitir o ensino domiciliar, promover aulas de russo e abolir a “inclusão” de alunos com necessidades especiais em turmas mistas. Contudo, existem dúvidas jurídicas significativas sobre se um governo estadual teria realmente autoridade para implementar todas essas propostas.

Acusações de nepotismo também pairam sobre Siegmund e a AfD. Relatos indicam que vários parlamentares estaduais e federais do partido garantiram empregos bem remunerados para amigos e parentes nos gabinetes de outros políticos da legenda. O próprio Siegmund conseguiu uma posição para seu pai; embora a prática não seja ilegal, levanta questionamentos sobre a integridade e honestidade que ele procura transmitir ao partido.

Com informacoes de G1.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

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