AfD lidera com 44,5% em eleição regional na Saxônia-Anhalt, apontando vitória histórica da extrema‑direita
De acordo com levantamento da emissora ARD, a Alternativa para a Alemanha (AfD) obteve 44,5% dos votos na eleição regional da Saxônia-Anhalt, enquanto a União Democrata‑Cristã (CDU), liderada pelo primeiro‑ministro federal Friedrich Merz, ficou com 18,5%.
O Partido Social‑Democrata (SPD) de centro‑esquerda, os Verdes e o partido de esquerda anticapitalista, também ultrapassaram a cláusula de barreira e garantiram representação no parlamento regional.
Ulrich Siegmund, de 35 anos, líder da AfD na Saxônia-Anhalt, declarou antes da votação que o objetivo do partido era conquistar cadeiras suficientes para formar governo sem depender de alianças com outras legendas.
Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, a extrema‑direita não controla um governo regional na Alemanha; o histórico nazista do país alimenta a prática do "cordão sanitário", que impede partidos tradicionais de cooperar com a AfD.
Se a AfD não alcançar a maioria absoluta, os demais partidos precisarão montar uma aliança fragmentada, processo que pode se estender, enquanto buscam impedir a ascensão ao poder de um partido sob investigação do serviço interno de inteligência (BfV) por extremismo de direita.
Siegmund afirmou que buscará diálogo com outras forças políticas e classificou as acusações de extremismo como alarmismo e ofensa aos milhões de apoiadores da AfD. "Estendemos a mão a todas as forças democráticas que queiram adotar políticas melhores", disse, ressaltando que temas como imigração e segurança interna são inegociáveis.
A copresidente da AfD, Alice Weidel, descreveu o resultado como "histórico" e afirmou que confere ao partido um mandato claro para governar, embora ainda não esteja definido se a maioria será obtida.
A Aliança Sahra Wagenknecht (BSW), de esquerda populista e potencial parceira de coalizão da AfD, também pode superar a cláusula de barreira, segundo as pesquisas de boca de urna divulgadas após o fechamento das urnas.
O desempenho eleitoral também representa um revés para a autoridade de Friedrich Merz, cuja popularidade tem recuado enquanto seu governo de coalizão enfrenta dificuldades para reanimar o crescimento da maior economia da Europa.
A Saxônia-Anhalt, com cerca de 2 milhões de habitantes, registra o menor PIB per capita entre os 16 estados alemães. Desde a reunificação, a região perdeu mais de um quarto de sua população entre 1990 e 2024, a maior queda demográfica entre os estados.
Com informacoes de Valor Econômico.

