Ucrânia precisa de mudanças para evitar perder a guerra, diz ex‑ministro da Defesa

Por Tainá Ribeiro Alves em Rio Verde, GO 26/08/2026 09:40
Ucrânia precisa de mudanças para evitar perder a guerra, diz ex‑ministro da Defesa

Foto: via Valor Econômico

Ex‑ministro da Defesa da Ucrânia, Oleksiy Fedorov, de 35 anos, afirmou que o país não tem visão geral para vencer o conflito que já dura quatro anos e que a incapacidade de inovar tem prejudicado a nação.

Ele apontou corrupção arraigada, redes de favorecimento e falta de independência política das instituições governamentais como fatores que agravam a situação, e declarou: “Acho que estamos agora em um ponto de inflexão que determinará nossa trajetória futura, mas parece que estamos perdendo gradualmente, lentamente”.

Segundo Fedorov, a Ucrânia ainda tem “todas as chances” de vencer, mas precisa urgentemente de um plano para encerrar a guerra.

O gabinete da Presidência respondeu que Fedorov fazia avaliações positivas sobre a condução da guerra enquanto ocupava o ministério e que a única mudança foi sua situação pessoal.

A Rússia tem atingido fábricas e armazéns ucranianos com dezenas de mísseis balísticos por mês, que a Ucrânia, em sua maioria, não consegue derrubar porque os estoques de interceptores diminuem.

Embora a Rússia esteja conquistando menos território que no ano passado, ainda avança lentamente no Donbass, enquanto as posições de infantaria ucraniana na linha de frente são ocupadas principalmente por recrutas pouco motivados.

A Ucrânia intensificou ataques com drones e mísseis em áreas do interior da Rússia, atingindo fábricas militares importantes, causando danos significativos a refinarias de petróleo e provocando escassez de combustíveis em todo o país.

Pesquisa realizada no fim de julho mostrou que 82% dos ucranianos acreditavam que a Ucrânia venceria, embora a maioria esperasse que os combates continuassem até 2027 ou além.

Fedorov foi demitido seis meses depois de assumir o cargo, após iniciar reformas nas áreas de compras e mobilização que o colocaram em rota de colisão com a cúpula militar e adversários políticos.

Na semana passada, ele se tornou a primeira figura política de peso a exigir a realização de eleições durante a guerra, denunciando uma crise “sistêmica” de governança.

Em entrevista na segunda‑feira, Fedorov ressaltou a importância de desenvolver drones autônomos guiados por inteligência artificial, mísseis interceptores baratos e um programa próprio de mísseis balísticos para mudar o rumo da guerra.

Fabricantes ucranianos já trabalham nessas tecnologias, mas o ex‑ministro afirmou que o país precisa de uma estratégia coordenada para maximizar seus efeitos quando forem empregadas.

Ele apresentou uma visão de uma linha de frente coberta por sensores eletrônicos para detectar inimigos, com drones terrestres e aéreos para reduzir ao mínimo a presença humana, e disse: “Já existem tecnologias que poderiam deter completamente os russos, mas nossa falta de visão (…) significa que não as utilizamos”.

Fedorov criticou o desperdício de potencial e a ineficiência do Estado ucraniano, que, segundo ele, opera com “5% de eficiência”.

Em relação ao rombo orçamentário, Fedorov afirmou ter sido uma das principais forças por trás de uma campanha de drones realizada neste ano contra a logística de combustíveis e militar da Rússia na região ocupada do sul da Ucrânia, causando dificuldades para as forças russas.

Em paralelo, o presidente Zelensky declarou que a Ucrânia quer paz, mas descarta rendição a qualquer preço; Reino Unido e França prometeram reforçar apoio bélico; e a Rússia deve prorrogar a proibição de exportação de diesel até setembro.

Com informacoes de Valor Econômico.

Tainá Ribeiro Alves

Sobre o Autor: Tainá Ribeiro Alves

Cobre o que o Brasil está buscando agora: famosos, esporte, tech, games e virais.