Trabalhadores em Condições de Escravidão em Goiás: Justiça é Feita
Uma força-tarefa do Ministério do Trabalho e Emprego e do Ministério Público do Trabalho resgatou 55 trabalhadores em condições análogas à escravidão em uma propriedade rural de Cezarina, no Sul de Goiás. Entre as vítimas, destacam-se nove mulheres. Os trabalhadores foram recrutados nos estados da Bahia e de Minas Gerais com promessa de salários mensais entre R$ 6 mil e R$ 10 mil para atuar na extração de palha de milho usada na fabricação de cigarros.
Cerca de 150 pessoas foram inicialmente aliciadas, mas aproximadamente 100 desistiram e retornaram por conta própria, mesmo sem receber os valores prometidos. Os 55 resgatados permaneceram no local porque não tinham recursos para custear a viagem de volta. Durante a fiscalização, realizada com apoio da Polícia Militar e da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social, foram identificadas diversas irregularidades.
Os trabalhadores ficaram cerca de 50 dias à disposição do empregador, mas atuaram efetivamente por apenas dez. Além dos atrasos salariais, enfrentavam falta de água potável fornecida pelo contratante e ausência de locais adequados para refeições durante a jornada. Goiás é o 6º estado com mais novos nomes na “lista suja” do trabalho escravo em 2026.
O Ministério do Trabalho providenciou passagens de ônibus em Goiânia para que as vítimas retornassem aos estados de origem. Cada trabalhador terá direito a três parcelas do seguro-desemprego no valor de R$ 1.621. O Ministério Público do Trabalho deve ingressar com ação para cobrar o pagamento de verbas rescisórias e indenizações por danos morais individuais e coletivos.
O empregador poderá ser incluído na chamada Lista Suja, o cadastro de empregadores que submeteram pessoas a condições análogas à escravidão. O caso também foi encaminhado à Polícia Federal, que investigará possíveis crimes de aliciamento, tráfico de pessoas e redução à condição análoga à de escravo.
Com informacoes de O Hoje.

