Tensão no São Paulo: atrasos de salários e direitos de imagem aumentam conflito entre elenco e diretoria
Minutos depois da derrota do São Paulo para o Boca Juniors, na noite de terça‑feira passada, no Morumbi, pela Copa Sul‑Americana, o atacante Luciano fez declarações ao microfone afirmando que "nunca recebi em dia" seus pagamentos.
O clima no Centro de Treinamento da Barra Funda está marcado por tensão entre o elenco e a diretoria, intensificado pelos múltiplos atrasos nos pagamentos. O primeiro atraso de salários em carteira ocorreu no início do mês, e a justificativa da diretoria apontou a oposição política como responsável pela falta de verba, gerando maior irritação entre os jogadores.
A crise começou logo após a posse de Harry Massis como presidente, assumindo o cargo após o impeachment de Julio Casares. Em reunião realizada na metade de janeiro no CT da Barra Funda, Massis prometeu que não haveria mais atrasos nos direitos de imagem, o que agradou o grupo.
No mês seguinte, o presidente firmou um acordo com o elenco, estabelecendo o parcelamento em dez vezes dos valores de direitos de imagem atrasados do ano anterior, com a promessa de que os pagamentos seriam feitos em dia.
O acordo foi cumprido por cinco meses, porém já existem ao menos três parcelas em atraso, referentes aos meses de junho, julho e agosto, além dos direitos de imagem que voltaram a atrasar. Alguns jogadores contratados na última janela de transferências ainda não receberam nenhum pagamento de direitos de imagem, e em casos mais graves o atraso chegou a seis meses.
Após o atraso no pagamento dos salários em carteira, o elenco se fechou ainda mais. Lideranças do grupo ofereceram apoio financeiro a qualquer atleta que precisasse, conforme apurado pelo portal.
Os valores pendentes foram quitados na sexta‑feira, com três dias de atraso, enquanto o foco permanecia no jogo decisivo da Copa Sul‑Americana. O grupo tentou manter os problemas fora de campo para se concentrar na virada contra o Boca Juniors e na busca pela vaga nas semifinais.
Entretanto, a eliminação fez Luciano deixar o campo e registrar sua insatisfação: "Nunca recebi salário em dia aqui. Muitos jogadores vêm ao São Paulo porque querem vestir a camisa, porque amam o clube. Eu quero estar aqui, ajudamos quem precisa, tentamos deixar os problemas fora de campo para focar no Boca. Quero deixar claro: desde que estou aqui, nunca recebi em dia. Recebi propostas, mas fiquei porque amo este clube e quero vencer um título enquanto estou aqui", declarou ao SBT.
Em entrevista na zona mista, o capitão Rafinha reconheceu que os problemas financeiros atrapalham, mas ressaltou a dedicação dos atletas: "Claro que o jogador, quando entra em campo, não pensa em nada disso. Ele está em campo, quer dar 100%, quer performar da melhor forma possível. Mas, claro que atrapalha. Não posso ser hipócrita e dizer que não atrapalha. Não atrapalha só no São Paulo, em qualquer clube, em qualquer profissão hoje em dia atrapalha. Mas esses jogadores que o São Paulo tem aqui não são movidos só a dinheiro", afirmou.
Além das questões financeiras, o técnico Dorival Júnior questionou o uso do VAR e lamentou o nervosismo da equipe durante a eliminação, conforme registrado em entrevista coletiva após o empate com o Boca Juniors.
Com informacoes de ge.

