Steinbruch deixa CEO da CSN após 24 anos e Fabio Schvartsman assume a liderança
Em meio a uma reestruturação e venda de ativos, a CSN (CSNA3) anunciou a troca em seu principal cargo de liderança após 24 anos. Benjamin Steinbruch deixará a cadeira de CEO da holding, conforme documento enviado ao mercado nesta quarta‑feira (2). No seu lugar, foi eleito Fabio Schvartsman, nome conhecido do setor de mineração.
Schvartsman ocupou a presidência da Vale (VALE3) entre 2017 e 2019, deixando o cargo naquele ano após o rompimento da barragem de Brumadinho (MG). É engenheiro de produção pela Poli‑USP e ex‑presidente da Klabin (KLBN11). Possui mais de quatro décadas de experiência em grandes empresas brasileiras, com passagens também por Duratex, Grupo Ultra, Telemar e San Antonio Internacional.
Steinbruch não se afastará totalmente da companhia que comandou por décadas. Ele foi eleito presidente do conselho de administração da CSN. O empresário é herdeiro dos fundadores do Grupo Vicunha, maior grupo têxtil da América Latina. Durante a década de 1990, o grupo comprou uma participação na CSN, criada por Getúlio Vargas e privatizada por leilões na bolsa de valores do Rio de Janeiro. Ainda na mesma década, Steinbruch participou do consórcio que adquiriu uma fatia na então Companhia Vale do Rio Doce, outra estatal criada por Vargas em processo de privatização.
Em 2002, o grupo da família Steinbruch vendeu sua participação na Vale e usou o valor para aumentar sua fatia na CSN. Hoje, a Vicunha Aços é o principal acionista da holding, detendo 41,66% das ações. De 1995 a 2023, Benjamin Steinbruch foi presidente do conselho de administração da CSN e CEO desde abril de 2002. O empresário também acumula o cargo de presidente do conselho de diversas outras empresas da holding, além de ser membro do conselho de administração do Jockey Club de São Paulo.
A troca não aconteceu por acaso e ocorre em um momento de mudanças na CSN, que busca diminuir suas dívidas. Em entrevista ao NeoFeed, Steinbruch afirmou que Schvartsman “vem com a missão de desalavancar a CSN, dentro do que for possível”. “Para que a gente consiga ter uma redução da dívida de forma significativa, para continuar nosso trabalho, e não pagando essa carga de juros absurda e desnecessária”, acrescentou.
Atualmente, a empresa negocia a venda de uma fatia da CSN Cimentos. Segundo reportou a Coluna do Broadcast, Steinbruch escolherá nesta semana quem receberá exclusividade na compra do braço de cimentos da companhia. A disputa envolve a chinesa Huaxin e o Grupo Votorantim, em conjunto com a italiana Cimentir. Steinbruch mirava até R$ 15 bilhões com a operação, mas o negócio é avaliado em cerca de R$ 12 bilhões.
A companhia encerrou o segundo trimestre de 2026 (2T26) com uma dívida líquida próxima de R$ 40,5 bilhões, e uma operação na faixa de R$ 10 bilhões a R$ 12 bilhões teria dimensão relevante frente a esse passivo. O alto custo de capital e o endividamento levaram a empresa a registrar prejuízo líquido de R$ 773 milhões no período, aumentando as perdas em 494,6 % em relação aos R$ 130 milhões apurados entre abril e junho de 2025.
A ideia da gestão é continuar vendendo ativos para diminuir essa dívida. “Depois do cimento, vamos trabalhar em participações minoritárias na infraestrutura e energia, venda de unidades independentes no exterior, e depois trazer parceiro para siderurgia para avançar em inovação e tecnologia”, afirmou o novo CEO ao NeoFeed.
Com informacoes de Seu Dinheiro.

