Seguradoras se Preparam para El Niño Mais Intenso
A leitura é de que o excesso de chuvas em algumas regiões poderá afetar linhas 'massificadas', como os seguros que protegem veículos e casas, além de seguros contratados por empresas. Também preocupa o impacto no agronegócio e, consequentemente, no seguro rural.
'Hoje, a maioria das projeções aponta para um El Niño forte. Esse é o cenário com que estamos trabalhando', diz Jarbas Medeiros, presidente da comissão de riscos patrimoniais massificados da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg). A expectativa é de maior impacto a partir de setembro, período em que podem ocorrer as chuvas torrenciais concentradas em curto espaço de tempo, além do risco de alagamentos, vendavais, ciclones e até tornados.
'Ninguém consegue prever exatamente quando ou onde isso vai acontecer. E isso é determinante para o tamanho das perdas', afirma Medeiros. Diante desse cenário, as seguradoras passaram a reforçar sua preparação operacional, com monitoramento diário de previsões meteorológicas e mobilização antecipada de equipes próprias.
'A gente procura estar preparado para o pior', afirma Medeiros. Além de desenhar uma 'força-tarefa', as companhias também reforçar a rede de assistência e fortalecer a estrutura para lidar com um grande volume de sinistros simultaneamente.
No país, a média anual de registros de eventos climáticos passou de 2,5 mil no período de 2015 a 2019 para cerca de 4,5 mil no período de 2020 a 2024, segundo dados compilados pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg). Esse aumento da frequência e da intensidade dos eventos levou seguradoras a remodelar seus modelos de risco e sua estrutura de atendimento aos segurados.
'Houve uma evolução das companhias no que diz respeito a todo o processo. Não só na precificação, mas também na subscrição e para se organizar de forma a atender melhor os sinistros porque está muito claro para nós que essa é uma realidade que veio para ficar', avalia Medeiros.
Aos poucos, ocorreu uma substituição, dentro do setor, de uma lógica reativa por uma estratégia de prevenção, afirma Marcio Probst, diretor de operações e sinistros do Grupo HDI. Se antes as seguradoras estruturavam suas operações depois que o desastre já havia acontecido, agora o processo começa dias antes, com monitoramento meteorológico, cruzamento de dados geográficos e planejamento operacional.
'O mercado se preocupava a partir do momento do evento. Hoje, existe uma preparação pré-crise. Quando ocorre algo, sabemos onde estão os nossos clientes, cruzamos essas informações com modelos meteorológicos e conseguimos identificar onde existe maior probabilidade de ocorrência e maior concentração de exposição', diz Probst.
Na HDI, houve reforço no uso de ferramentas de georreferenciamento capazes de combinar a localização dos segurados com previsões climáticas. Segundo Probst, esses modelos permitem antecipar a mobilização das equipes e orientar ações preventivas, como o envio de alertas aos segurados.
A companhia de seguros também reforçou a capacidade de resposta em campo, com investimento de cerca de R$ 2 milhões em veículos de pronta resposta totalmente autônomos para que as equipes permaneçam em regiões isoladas durante vários dias, caso necessário.
Iniciativas semelhantes foram tomadas em outras companhias, como a BradSeg. 'A experiência acumulada nos últimos anos permitiu desenvolver protocolos específicos para atuação em eventos de grande porte, independentemente da região atingida', diz Ney Dias, presidente da empresa.
Além disso, afirma o executivo, foram acelerados investimentos em inteligência artificial, big data, geoprocessamento e modelos preditivos, que permitem às seguradoras se preparar melhor para eventos climáticos intensos.
Com informacoes de Valor Econômico.

